Gilmar Mendes atropela decisão de Nunes Marques e força inclusão de Renan Santos em debate da Globo após desistência de Lula
Gilmar Mendes anulou decisão de Nunes Marques e garantiu Renan Santos no debate da Globo após Lula desistir de participar do evento
Por ContraFatos 01/10/2026 Atualizado em 01/10/2026
Os ministros do STF Gilmar Mendes e Nunes Marques | Foto: Reprodução
Decano do STF anulou trecho de decisão do presidente do TSE e determinou que a emissora abrisse vaga ao candidato do Missão
A desistência de Lula do debate da Globo programado para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro, desencadeou uma disputa judicial que culminou em uma intervenção direta de Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao derrubar parte da decisão proferida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, o ministro garantiu a presença do candidato Renan Santos, do partido Missão, no evento televisivo marcado para as 21h30.
Entenda o critério ignorado pela Globo
Tudo começou quando o petista comunicou à TV Globo que não participaria do encontro. As regras apresentadas pela emissora ao TSE previam que, em caso de desistência, a Globo poderia convidar o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro que não tivesse presença assegurada pela legislação eleitoral.
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Renan Santos aparecia com 3% naquele levantamento e era justamente o candidato que preenchia essa condição. Apesar disso, a emissora optou por não convidá-lo, o que levou o partido Missão a recorrer ao TSE.
Nunes Marques reconheceu o enquadramento, mas negou o pedido
Ao analisar o recurso, Nunes Marques admitiu que Renan Santos se enquadrava no critério objetivo estabelecido pela própria emissora. No entanto, o presidente do TSE entendeu que a regra não obrigava a Globo a fazer o convite. Segundo Nunes Marques, a norma estipulava que a emissora “poderá, a seu exclusivo critério”, chamar o candidato — o que, em sua interpretação, tornava o convite facultativo.
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Gilmar Mendes derruba a decisão e força a inclusão
Insatisfeito com o resultado no TSE, o partido Missão levou a questão ao STF. O decano Gilmar Mendes acolheu o pleito e anulou o trecho da decisão de Nunes Marques que permitia à Globo recusar a participação de Renan Santos.
Além de autorizar a presença do candidato no debate, Gilmar Mendes determinou que a emissora o inserisse na vaga aberta pela desistência de Lula, nas mesmas condições oferecidas aos demais participantes — com tempo, perguntas e posição equivalentes.
Repercussão da decisão monocrática
A intervenção de Gilmar Mendes chamou atenção por passar por cima tanto da decisão de Nunes Marques no TSE quanto de eventuais entendimentos de outros ministros do STF. A medida reacende o debate sobre o alcance do poder individual dos ministros da Corte em questões eleitorais, especialmente em decisões tomadas de forma monocrática às vésperas de eventos com impacto direto na campanha.