A justificativa do decano: paridade entre julgadores
Para Gilmar Mendes, permitir que apenas o gabinete de Mendonça tenha acesso à cópia da mídia extraída do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, fere o equilíbrio interno da Corte. Ele foi enfático no documento:
“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gilmar.
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Entrar no grupo O ministro ainda argumentou que o compartilhamento irrestrito permitirá uma deliberação mais consistente, possibilitando que cada integrante forme sua convicção jurídica com base em todo o conjunto probatório, e não em trechos “sínteses parciais”.
Mandar a PF buscar dados no gabinete de um ministro do STF
O ponto mais inusitado — para não dizer absurdo — da movimentação é a solicitação subsidiária feita por Gilmar Mendes. Em suas próprias palavras:
“De forma subsidiária, caso os dados não sejam fornecidos pelo gabinete do eminente ministro relator [Mendonça], reforço a solicitação apresentada por Zanin para que se requisite à Polícia Federal, com urgência, por intermédio da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, o fornecimento das aludidas cópias”, declarou.
Ou seja, numa instituição onde todos ocupam cargos de igual hierarquia, o decano sugere que a PF seja acionada para contornar o que considera uma recusa do próprio colega. A cena hipotética de policiais federais entregando pen drives nos gabinetes do STF porque um ministro não compartilha arquivos com os outros parece roteiro de ficção, mas é a realidade do impasse instalado na Corte.
O que aconteceu ao longo do dia
A ofensiva de Gilmar Mendes se soma a uma série de movimentos que se desenrolaram ao longo desta sexta-feira (11). O tema está pautado para discussão no plenário na próxima terça (15), quando a Corte deve analisar o relatório da Polícia Federal que identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
- Zanin acionou Fachin cobrando acesso à íntegra do espelhamento do telefone de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF, argumentando que o plenário precisa conhecer o contexto integral dos dados antes de julgar o caso.
- André Mendonça informou a Fachin que o aparelho físico original não está sob sua posse, mas sim guardado nos depósitos da própria PF para preservar a cadeia de custódia da prova. O relator declarou que possui apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, enviada pela PF em março de 2026, que permanece intacta e lacrada.
- Em novo ofício, Zanin contestou a justificativa de Mendonça, sustentando que o lacre de uma cópia de segurança não impede o compartilhamento com os demais julgadores, lembrando ainda que a própria defesa de Vorcaro já obteve acesso à integralidade do material.
- Moraes reforçou o pedido e afirmou que “não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado”.
Pressão consolidada sobre o relator
Com o novo documento enviado a Fachin, Gilmar Mendes consolidou a pressão sobre o relator para que o conteúdo seja destravado — seja por via do gabinete de Mendonça ou diretamente pela PF — antes da sessão de terça-feira. A manifestação do decano se insere em um cenário onde ao menos três ministros já se posicionaram publicamente pela abertura total dos dados, colocando o relator em posição cada vez mais isolada dentro do próprio tribunal.