Jornalista critica ordem do STF para que dirigente preste depoimento após declarações à imprensa
O jornalista Glenn Greenwald reagiu nesta sexta-feira (20) à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a intimação do presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral.
A medida foi tomada após Cabral conceder entrevistas nas quais criticou a atuação do STF.
Críticas publicadas nas redes sociais
Em seu perfil na rede social X, Greenwald classificou a decisão como um ato de autoritarismo.
“O indicador mais confiável de autoritarismo é a punição e/ou intimidação oficial daqueles que criticam as autoridades”, escreveu. “Xandão vem fazendo isso há anos, mas poucos na mídia se importaram porque era dirigida contra os bolsonaristas e outros inimigos políticos.”
Na sequência, o jornalista afirmou que considerava “inevitável” que esse tipo de medida fosse direcionado a todos os críticos. Ele também insinuou que a própria imprensa teria contribuído para o cenário atual, ao afirmar que a mídia criou “esse monstro” e que agora “ele nunca vai parar por vontade própria.”
Ordem de intimação
A decisão de Moraes determina que a Polícia Federal (PF) intime Kleber Cabral para prestar esclarecimentos sobre declarações feitas à imprensa ao longo da quarta-feira (18). O depoimento foi marcado para esta sexta-feira (20), às 15h.
Cabral comentou publicamente a operação da PF que investiga auditores da Receita Federal sob suspeita de vazamento de dados sigilosos.
Declarações de Cabral
Em entrevista, o presidente da Unafisco afirmou que não há indícios de que o auditor alvo da operação tenha divulgado informações protegidas.
Ele também declarou que investigar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) geraria menos temor entre servidores da Receita Federal do que investigar o STF.
Na quarta-feira (18), a Unafisco divulgou nota crítica à operação. No comunicado, a entidade expressou preocupação com as medidas adotadas e defendeu o respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e ao princípio da proporcionalidade.