Resultado primário negativo e desempenho de dezembro
No mesmo período, o resultado primário consolidado ficou negativo em 0,43% do PIB. Já no mês de dezembro, o setor público registrou superávit de R$ 6,3 bilhões. Apesar de o número ter superado as expectativas do mercado, ficou abaixo do resultado observado em dezembro de 2024.
Para o Goldman Sachs, o desempenho reforça a avaliação de que o governo não demonstra disposição consistente para conter despesas, mesmo diante do avanço do déficit nominal.
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Entrar no grupo Críticas ao arcabouço fiscal
O relatório também traz críticas diretas ao arcabouço fiscal adotado pelo governo. O banco classificou o regime como fraco e pouco confiável, apontando que ele contribuiu para elevar os prêmios de risco e dificultar a ancoragem das expectativas de inflação no curto e médio prazos.
O arcabouço fiscal substituiu o Teto de Gastos, que vigorou por quase uma década, e foi implantado em 2023. Diferentemente do modelo anterior, ele não está mais vinculado apenas à inflação, mas também ao crescimento da arrecadação e às metas de resultado primário.
Pelas regras atuais, as despesas podem crescer em termos reais entre 0,6% e 2,5% ao ano, a depender do desempenho da receita.
Segundo o Goldman Sachs, na ausência de superávits primários sustentados e superiores a 2% do PIB, a dívida pública brasileira não deverá entrar em uma trajetória estrutural de queda.
Dívida pública segue em alta
O relatório também analisou a evolução da dívida do governo. Em 2025, a dívida bruta encerrou o ano em 78,7% do PIB, acima dos 71,7% registrados ao final de 2022. Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos na carteira do BC, a dívida alcança 93,4% do PIB.
A dívida bruta do governo geral corresponde ao total das obrigações do setor público, sem descontar ativos a receber, e inclui títulos públicos, além de débitos de Estados e municípios. Segundo o banco, essa dívida deve continuar crescendo “no futuro previsível”.
Juros elevados e riscos inflacionários
Por fim, o Goldman Sachs destacou que não espera uma queda relevante dos juros no curto prazo. A avaliação é de que o Banco Central deve manter postura cautelosa diante da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e do crescimento real dos salários.
Na análise do banco, a combinação desses fatores tende a gerar pressões de custos, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como serviços, elevando os riscos inflacionários nos próximos períodos.