Golpe do abate ao porco: aposentada gaúcha perde R$ 37 milhões em fraude com falsa plataforma de investimentos
Aposentada gaúcha perdeu R$ 37 milhões em golpe internacional do abate ao porco e polícia prendeu seis pessoas em operação em três estados
Por ContraFatos 14/08/2026 Atualizado em 14/08/2026
Golpe Do Abate Ao Porco: Aposentada Gaúcha Perde R$ 37 Milhões Em Fraude Com Falsa Plataforma De Investimentos
Investigação da Polícia Civil do RS desmonta esquema internacional de fraude que movimentou bilhões em transações suspeitas
Uma aposentada do Rio Grande do Sul foi vítima de um prejuízo milionário após cair em um sofisticado esquema de fraude internacional. A mulher perdeu R$ 37 milhões ao ser enganada por uma falsa plataforma de investimentos, em um crime classificado como “pig butchering” — ou “abate ao porco”, na tradução literal.
Como funciona o golpe do abate ao porco
Originário do sudeste asiático, com ramificações em países como Laos, Camboja e Mianmar, esse tipo de crime tem uma dinâmica peculiar. O nome faz referência à estratégia dos criminosos de “engordar” suas vítimas antes do “abate”. Na prática, isso significa construir uma relação de confiança prolongada antes de aplicar o golpe financeiro propriamente dito.
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No caso da aposentada gaúcha, o esquema começou quando ela foi incluída em um grupo de mensagens que se passava por uma comunidade de estudos sobre o mercado financeiro. Dentro desse ambiente, supostos especialistas e assistentes compartilhavam análises de mercado otimistas e exibiam lucros fictícios para dar aparência de legitimidade à operação.
Conforme apurado pela CNN Brasil, a mulher havia recebido orientações de seu próprio corretor para adotar investimentos mais seguros. O profissional alertou sobre os riscos envolvidos. Mesmo assim, a aposentada optou por romper com o corretor e buscar alternativas que prometiam retornos mais elevados — exatamente onde os golpistas a aguardavam.
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Convencida pelos falsos resultados apresentados no grupo, a vítima passou a realizar aportes cada vez maiores na plataforma fraudulenta. O problema aparecia quando ela tentava resgatar os valores. A plataforma bloqueava os saques sistematicamente, e os criminosos começavam a cobrar taxas e impostos inexistentes como condição para liberar o acesso ao patrimônio investido.
Operação policial prende seis pessoas em três estados
Na quinta-feira (13), a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos lançou uma operação para desmantelar a estrutura financeira utilizada pelo grupo criminoso. Foram cumpridas 90 ordens judiciais em três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
A ação resultou na prisão de seis pessoas:
Três proprietários de instituições financeiras responsáveis pela conversão de dinheiro convencional em criptomoedas;
Dois estrangeiros, sendo que um deles também era dono de uma instituição financeira;
Um gerente de um grande banco nacional, suspeito de ter facilitado a abertura de contas utilizadas pelo grupo para pulverizar os valores obtidos das vítimas.
Transações suspeitas somam R$ 30 bilhões
A dimensão do esquema vai muito além do caso da aposentada. As investigações indicam que ao menos 140 pessoas em todo o Brasil foram expostas ao golpe. Os volumes financeiros envolvidos são expressivos: uma das instituições investigadas movimentou R$ 295 milhões em um único dia em conversões para criptoativos.
Em São Paulo, uma única empresa apresentou movimentação atípica de R$ 500 milhões durante o período analisado pela polícia. No total, as transações suspeitas mapeadas pelos investigadores chegam a R$ 30 bilhões.