Governo brasileiro barra vistos de funcionários americanos que planejavam encontro com Flávio Bolsonaro
Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que planejavam se reunir com Flávio Bolsonaro antes das eleições
Por ContraFatos 30/07/2026 Atualizado em 30/07/2026
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Itamaraty cancelou viagem de dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA alegando risco de instrumentalização política no período pré-eleitoral
Dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos tiveram seus vistos negados pelo Itamaraty na sexta-feira, 24. Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, ambos lotados no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos EUA, haviam comunicado às autoridades brasileiras a intenção de se reunir com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Diplomatas alegaram interesse em debater liberdade de expressão
A solicitação de vistos foi feita em Washington. Barnes e Samson pediram ainda reuniões com integrantes do governo brasileiro. Durante os contatos mantidos com a diplomacia em Brasília, os dois informaram que também tinham planos de encontrar Flávio Bolsonaro. A justificativa oficial para a viagem era discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.
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Avaliação do governo apontou risco de uso político
As autoridades brasileiras avaliaram que a visita coincidiria com um momento delicado: Flávio vinha questionando as urnas eletrônicas em um evento com diplomatas. Na visão do governo, existia risco concreto de que a agenda dos funcionários americanos fosse instrumentalizada no cenário pré-eleitoral.
A viagem estava prevista para a mesma semana em que o senador do PL solicitou a representantes estrangeiros o envio de observadores internacionais. Flávio Bolsonaro levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas com base em informações falsas, já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2017.
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Reportagem do Washington Post veio depois da negativa brasileira
O jornal Washington Post publicou que o governo de Donald Trump planejava enviar funcionários para questionar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras. A reportagem mencionava Barnes e Samson. No entanto, o governo brasileiro já havia negado os vistos antes que a matéria viesse a público.
A Embaixada dos Estados Unidos havia informado às autoridades brasileiras sobre a intenção dos funcionários de se reunirem com o candidato do PL à Presidência. Com a negativa do Itamaraty, a viagem foi cancelada.