Mas essa não foi a única ação voltada ao setor de transporte. O programa MOV Brasil, criado para promover a renovação de caminhões e ônibus, destinou outros R$ 21,2 bilhões em financiamentos.
Fim da Taxa das Blusinhas e ampliação da isenção do IR
Na semana passada, uma Medida Provisória assinada por Lula revogou a chamada “Taxa das Blusinhas”. A renúncia fiscal decorrente dessa decisão pode atingir cerca de R$ 3,4 bilhões. O objetivo do governo é ampliar a capacidade de consumo das camadas mais pobres da população.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), comentou a medida nesta terça-feira em entrevista à Folha de S. Paulo: “A taxa das blusinhas não deveria ter sido criada, e eu me penitencio porque era líder do governo no Congresso”.
Outro benefício fiscal de grande magnitude foi a elevação da faixa de isenção do imposto de renda para contribuintes que recebem até R$ 5 mil. O custo estimado dessa medida para o erário é de R$ 31,2 bilhões.
Habitação: crédito imobiliário e Minha Casa, Minha Vida turbinados
No campo habitacional, o governo Lula concentrou parte significativa dos estímulos econômicos deste ano. O novo modelo de crédito imobiliário deve movimentar aproximadamente R$ 22,3 bilhões, enquanto a ampliação da Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida tem impacto estimado em R$ 7,7 bilhões.
Segurança pública com R$ 11 bilhões em investimentos
Também na semana passada, Lula lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, com previsão de gastos de R$ 11 bilhões. Os recursos serão direcionados a inteligência policial, melhorias no sistema prisional, combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além da integração entre forças de segurança. Do montante total, R$ 10 bilhões correspondem a uma linha de crédito de bancos públicos destinada aos governos estaduais.
Estratégia de recuperação política
O volume de recursos anunciados evidencia uma tentativa do governo Lula de recuperar fôlego político junto à sua base eleitoral. Ao reunir programas de financiamento de veículos pesados e leves, investimentos em segurança pública, isenções fiscais para a população de baixa renda e ampliação de programas habitacionais, o Planalto aposta em uma ofensiva de gastos públicos cujo impacto acumulado já se aproxima de R$ 190 bilhões — tudo isso antes mesmo do período oficial de campanha.