Diretriz presidencial e o ofício enviado aos tribunais
O ofício encaminhado em junho aos órgãos do Judiciário justifica a convocação dos policiais como parte de uma “diretriz presidencial de fortalecimento da segurança pública”. No documento, o Ministério da Justiça solicitou que os tribunais adotassem providências para o “imediato retorno ao órgão de origem dos servidores abaixo elencados”.
Em abril, o presidente Lula (PT) já havia declarado publicamente que determinara a volta de delegados da PF que estariam “fingindo trabalhar” fora da corporação. Na ocasião, afirmou que apenas aqueles ocupando cargos de secretários estaduais permaneceriam cedidos.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Suspeita de retaliação ao gabinete de André Mendonça
Apesar da justificativa institucional, integrantes da Polícia Federal e do Judiciário interpretaram o ofício como uma possível retaliação ao delegado Thiago Marcantonio Ferreira, que desde o ano passado atua no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação reservada é que uma medida ampla de retorno de servidores cedidos poderia atingir o delegado de forma indireta, sem que fosse necessário ordenar explicitamente sua saída do STF. O raciocínio, segundo essas fontes, tornaria a decisão menos evidente como represália.
Investigações sobre o INSS e o caso Lulinha
A relação entre a PF e o gabinete de Mendonça já vinha marcada por atritos. O ministro é relator de investigações ligadas às fraudes no INSS e determinou que documentos da apuração fossem remetidos ao STF. Além disso, estabeleceu que qualquer alteração na equipe responsável pelo caso fosse previamente comunicada à corte.
O cenário de tensão se agravou quando a PF solicitou a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes. O caso recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e acabou distribuído a Mendonça.
Divergências no caso Master e restrições ao diretor-geral da PF
A crise institucional se estende também às divergências em torno de investigações do caso Master. Já em fevereiro, Mendonça havia restringido o acesso do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a informações da apuração. O ministro determinou que os dados fossem conhecidos exclusivamente por autoridades e agentes diretamente envolvidos na investigação, limitando o alcance da cúpula da corporação policial.