Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, os repasses à ONG atingiram patamar recorde. Nos últimos dez anos, a média anual de recursos girava em torno de R$ 1 milhão, mas só em 2024 o valor já ultrapassou R$ 18 milhões.
Projetos com viés ideológico recebem verba pública
Entre as iniciativas financiadas pelo governo está um curso para formação de defensores dos direitos humanos, cujo foco é evitar ‘ataques à democracia’. O curso prevê formar 300 agentes, com seminários virtuais e debates divididos em oito encontros. A proposta recebeu R$ 400 mil do Ministério dos Direitos Humanos, por meio de emenda do deputado Vicentinho (PT-SP).
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Entrar no grupo O conteúdo faz referência ao que setores da esquerda consideram “golpe político” contra a ex-presidente Dilma Rousseff, destituída em 2016.
Para 2026, a ONG planeja criar uma rede de defesa de direitos humanos e distribuir 3 mil cartilhas com os conhecimentos do curso.
Feira “feita pela esquerda, para a esquerda”
Outro projeto financiado com verba pública é a Feira Esquerda Livre, definida pela Unisol como uma “feira colaborativa de empreendedores e artistas de esquerda, feita pela esquerda, para a esquerda”.
A iniciativa recebeu R$ 200 mil do Ministério do Trabalho, via emenda do deputado Nilto Tatto (PT-SP). Segundo a ONG, o objetivo é melhorar a renda e qualidade de vida de 250 beneficiários de 30 empreendimentos em São Paulo.
ONG e sindicato minimizam vínculos
Procurada, a Unisol negou ser exclusiva da esquerda e afirmou estar aberta a trabalhar com qualquer setor da sociedade que compartilhe os valores do cooperativismo e direitos humanos. Sobre o curso que menciona o impeachment de Dilma, declarou que “reflete o contexto político do país”. Quanto à feira, informou que está em fase de prestação de contas.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou que a ONG foi uma iniciativa sua, mas garantiu que a Unisol possui autonomia administrativa, política e financeira.
Ministérios afirmam legalidade e transparência
Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos informou que os convênios com a Unisol seguem critérios legais e passaram por análise técnica.
O Ministério do Trabalho e Emprego destacou que sua responsabilidade é verificar o cumprimento dos requisitos legais e que os recursos são monitorados por equipe técnica, assegurando transparência e integridade na execução das ações.