Tradição pesqueira ameaçada
A reação dos pescadores artesanais de Santa Catarina foi imediata. Em redes sociais, a medida passou a ser tratada como um golpe contra a cultura local. “Encerrar a pesca artesanal da tainha em Santa Catarina é uma discriminação com o nosso povo e uma afronta à nossa tradição”, escreveu um internauta.
Neste ano, a safra catarinense durou apenas 38 dias — período muito inferior ao habitual. Tradicionalmente, a temporada começa em maio e se estende até o final de julho.
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Entrar no grupo Governador autoriza ação judicial contra a decisão federal
O Governo de Santa Catarina entrou na disputa. O governador Jorginho Mello autorizou o ingresso de ação judicial com o objetivo de reverter a suspensão da pesca artesanal da tainha. A Prefeitura de Itapema também se pronunciou oficialmente, manifestando preocupação com os impactos sobre comunidades pesqueiras e destacando a importância econômica da safra para centenas de famílias.
Capturas expressivas e dificuldade de comercialização
A interrupção da atividade ocorre justamente quando diversas comunidades registravam capturas expressivas. Antes da suspensão, pescadores já relatavam dificuldades para comercializar o grande volume de tainhas capturadas, alegando falta de compradores para absorver a produção.
O debate se estende também aos consumidores. Em restaurantes do litoral catarinense, pratos à base de tainha custam, em média, R$ 90 — valor que parte da população considera elevado.
Internautas divididos: apoio à cota e críticas ao descarte
Apesar da revolta dos pescadores, a maioria das manifestações nas redes sociais tem apoiado a decisão do governo federal após o atingimento da cota nacional. Muitos usuários criticam o descarte de peixes e defendem que parte dos pescadores deveria reduzir os preços para ampliar o acesso da população ao produto.
Lideranças pesqueiras se mobilizam
A repercussão levou à articulação de lideranças pesqueiras da região da Foz do Rio Itajaí. Na segunda-feira (8), representantes de ranchos de pesca e secretários municipais da área se reuniram em Bombinhas para discutir os impactos da medida e buscar caminhos para reverter a decisão.
Enquanto isso, pescadores de diversas cidades catarinenses continuam organizando manifestações e cobrando uma solução que permita a retomada da atividade durante o restante da temporada.