Na terceira tentativa, a estratégia mudou. O governo reduziu drasticamente o valor e acrescentou ao pacote o Credcesta, programa de crédito consignado voltado a servidores públicos estaduais. Com essa inclusão, a Ebal foi finalmente arrematada pelo valor de R$ 15 milhões.
Credcesta: de cartão de compras a motor de expansão financeira
O Credcesta acabou se tornando o verdadeiro atrativo do negócio. O comprador obteve exclusividade de 15 anos para operar o programa entre os servidores do Estado, com autorização para que os funcionários comprometessem até 30% do salário líquido. Como as parcelas eram descontadas diretamente na folha de pagamento, o risco de inadimplência era praticamente inexistente.
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Entrar no grupo Logo após a privatização, o programa deixou de funcionar apenas como cartão para compras e passou a oferecer empréstimos em dinheiro. Os juros cobrados chegaram a cerca de 5% ao mês, muito acima da taxa média do crédito consignado para servidores públicos no mesmo período, que oscilava entre 1,37% e 1,59% ao mês.
Conexão com o Banco Master e investigações da Polícia Federal
Posteriormente, o Credcesta acabou nas mãos do Banco Máxima, que se rebatizou como Banco Master, sob o comando de Daniel Vorcaro. A operação ganhou escala acelerada e se expandiu para 24 Estados.
Em 2024, conforme dados da Receita Federal, o Master faturou R$ 1,6 bilhão com a revenda de carteiras de crédito do Credcesta a terceiros.
Suspeitas de corrupção envolvem políticos baianos
O caso hoje é alvo de investigações da Polícia Federal, que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo políticos baianos, entre eles o senador Jaques Wagner. As informações sobre os gastos do Estado com as dívidas da Ebal foram levantadas pelo site Poder360 a partir de dados do portal Transparência Bahia.
O desenrolar do caso coloca em xeque a racionalidade da privatização e levanta questionamentos sobre possíveis favorecimentos na condução do processo durante a gestão petista na Bahia.