O X publicou uma nova versão do código de seu sistema de recomendações, tornando público o filtro criado especificamente para as eleições brasileiras de 2026. A plataforma declarou estar agindo em “estrito cumprimento” da resolução do TSE e alertou que a medida deverá afetar a visibilidade e o alcance dos perfis dos candidatos e de seus conteúdos.
Transparência algorítmica versus restrição de liberdade
Rogers destacou a contradição que a situação revela. “Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Ela também deixa explícita a censura imposta pelo Brasil”, escreveu a subsecretária de Estado.
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Entrar no grupo A declaração evidencia uma preocupação legítima: ao tornar público o código do filtro, o X demonstrou com exatidão como o Estado brasileiro interfere no fluxo livre de informações dentro de uma plataforma privada. Embora as publicações dos candidatos não sejam removidas e seus perfis não sejam suspensos, o mecanismo limita significativamente a distribuição orgânica desses conteúdos, restringindo o acesso dos eleitores a informações políticas.
Regra do TSE que fundamenta a restrição
A medida se baseia na resolução do TSE nº 23.610/2019, que determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam desses mecanismos os perfis oficiais informados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral e os conteúdos publicados por eles, ressalvadas as hipóteses previstas para impulsionamento pago.
Na prática, os conteúdos continuam disponíveis nos respectivos perfis e podem ser acessados diretamente pelos usuários. Porém, deixam de ser distribuídos pelo algoritmo a quem não segue essas contas — o que, em uma era em que o alcance depende fundamentalmente da recomendação algorítmica, representa uma limitação substancial ao debate político.
Relação entre EUA e Brasil acumula tensões
A manifestação de Rogers soma-se a uma série de pontos de atrito entre os governos Trump e Lula. Nos últimos meses, Washington elevou tarifas sobre produtos brasileiros, restringiu o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, e intensificou críticas ao governo brasileiro e a decisões de autoridades do país.
Na semana passada, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo Lula agiu de “má-fé” nas negociações comerciais com os Estados Unidos e atribuiu a essa postura parte da responsabilidade pela imposição das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
O governo Trump critica desde o ano passado, de forma reiterada, decisões brasileiras relacionadas à liberdade de expressão e à regulação de plataformas digitais. A questão do filtro eleitoral no X reforça essa posição, ao expor como normas internas podem funcionar como instrumentos de censura que limitam o livre fluxo de informações políticas para os cidadãos.