Conforme a legislação vigente, a Estrela manterá sua própria administração enquanto elabora o plano de recuperação. O documento será submetido aos credores, que precisarão aprová-lo para que a reestruturação financeira seja efetivada.
Juros elevados e entretenimento digital pesaram contra a empresa
Diversos fatores convergiram para empurrar a companhia à situação atual. O aumento das taxas de juros e as maiores dificuldades para obtenção de crédito no mercado comprometeram a saúde financeira do grupo. Paralelamente, uma transformação no comportamento do consumidor agravou o cenário: cada vez mais, famílias têm priorizado gastos com entretenimento digital e jogos on-line, em detrimento dos brinquedos tradicionais que fizeram a fama da Estrela.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Quase nove décadas de história na indústria de brinquedos
Ao longo de sua existência, a Estrela consolidou-se como sinônimo de infância para milhões de brasileiros. A empresa é responsável por produtos que se tornaram ícones culturais: Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa são apenas alguns dos nomes que marcaram gerações.
O Banco Imobiliário, lançado nos anos 1940, transformou-se em um clássico dos jogos de tabuleiro no país. A companhia também foi pioneira ao abrir capital em bolsa em 1944 e, nas décadas seguintes, ampliou continuamente seu portfólio para acompanhar as tendências do mercado infantil.
O fim da parceria com a Mattel e a aposta na boneca Susi
Nos anos 1990, a Estrela viveu um dos episódios mais marcantes de sua história empresarial. O término da parceria com a Mattel significou o fim da fabricação da Barbie pela empresa brasileira. Como resposta estratégica, a marca apostou no relançamento da boneca Susi para reconquistar consumidores, depois de 10 anos fora do mercado.
Litígio com a Hasbro adiciona pressão sobre o grupo
Além das adversidades financeiras recentes, a Estrela carrega há anos uma disputa judicial com a Hasbro. A multinacional americana reivindica royalties sobre cerca de 20 brinquedos vendidos no Brasil, incluindo o tradicional Banco Imobiliário. Esse embate jurídico prolongado soma-se ao cenário de incertezas que levou o grupo a buscar proteção na Justiça para reorganizar suas finanças.