Gustavo Petro comemora avanço da esquerda no Peru mesmo sem resultado oficial das eleições
Presidente colombiano Gustavo Petro comemorou provável vitória de Roberto Sánchez no Peru mesmo sem conclusão oficial da apuração eleitoral
Por ContraFatos 09/06/2026 Atualizado em 09/06/2026
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pouco depois de assumir o comando do Executivo - 07/08/2022 | Foto: Divulgação/Gustavo Petro/Instagram
Presidente colombiano exaltou provável vitória de Roberto Sánchez sobre Keiko Fujimori enquanto apuração ainda não foi concluída
Mesmo com a contagem oficial dos votos longe de ser finalizada, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, não esperou o desfecho formal do segundo turno das eleições presidenciais do Peru para se pronunciar. Na segunda-feira, 8, o mandatário colombiano celebrou publicamente o que classificou como uma conquista do progressismo na disputa peruana.
Disputa acirrada entre Sánchez e Fujimori
Com pouco mais de 95% das urnas contabilizadas, o candidato esquerdista Roberto Sánchez aparecia na liderança da corrida presidencial, à frente da adversária conservadora Keiko Fujimori. A margem de votos entre os dois, no entanto, permanece estreita. A definição do vencedor pode levar vários dias, dada a complexidade do processo de contagem dos votos restantes.
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Petro ataca família Fujimori e promete restabelecimento diplomático
No X, Petro não economizou nas palavras ao comentar o cenário eleitoral peruano. “O progressismo acaba de vencer a Presidência do Peru e derrotou a força de extrema direita mais radical do país, representada pela família Fujimori”, escreveu o socialista. Além da celebração, o presidente colombiano anunciou a intenção de restabelecer integralmente os laços diplomáticos com o governo do Peru.
Em outra publicação, o ex-guerrilheiro direcionou críticas pessoais à candidata conservadora: “Se você perder as eleições no Peru é por causa do seu pai, que foi um criminoso contra a humanidade”. A mensagem foi acompanhada de um vídeo no qual Keiko, durante a campanha eleitoral de 2023, pede que Petro não “enfiasse o nariz vermelho” nos assuntos internos do Peru.
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O embate presidencial no Peru colocou em lados opostos duas figuras de forte simbolismo político. Keiko Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que comandou o país entre 1990 e 2000. Já Roberto Sánchez é visto como herdeiro político de Pedro Castillo, ex-presidente preso desde 2022 após tentar dissolver o Congresso e governar por decreto — ação classificada pelas autoridades peruanas como tentativa de autogolpe.
Petro acusa Keiko de interferência na política colombiana
O presidente colombiano foi além das críticas eleitorais e acusou Keiko Fujimori de ter interferido na política da Colômbia por meio de uma “rede internacional fascista”. As declarações reforçam o tom combativo adotado por Petro em relação a figuras conservadoras da região.
Contexto de polarização na Colômbia
As manifestações de Petro sobre o cenário peruano acontecem em meio a um ambiente de intensa polarização política em seu próprio país. A Colômbia se prepara para o segundo turno de suas eleições presidenciais, marcado para 21 de junho. Na disputa, a candidata alinhada ao atual governo enfrentará um concorrente identificado pela esquerda como representante da “extrema direita”.
Sem possibilidade de disputar a reeleição, Petro enfrenta pressão política crescente desde o primeiro turno colombiano. O candidato apoiado pelo governo terminou a votação em segundo lugar em uma eleição marcada pela pior escalada de violência registrada no país.