Repressão violenta e execuções públicas
Uma das fontes relatou que, desde o início da trégua, 32 membros de uma gangue local — supostamente ligada a uma família que teria desafiado o Hamas — foram executados, além de seis militantes do próprio grupo que teriam morrido nos confrontos.
Imagens divulgadas pela Reuters mostraram dezenas de combatentes armados do Hamas reunidos em um hospital no sul de Gaza, alguns com distintivos da chamada “Unidade Sombra”, responsável pela custódia dos reféns israelenses antes de sua libertação.
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Entrar no grupo Nas redes sociais, circula um vídeo mostrando homens mascarados, alguns com faixas verdes — símbolo do Hamas —, atirando com metralhadoras em sete prisioneiros ajoelhados nas ruas, sob aplausos de civis que gritavam “Allah Akbar” (“Deus é grande”).
A Reuters não conseguiu confirmar a autenticidade das imagens, a data ou o local exato.
O Hamas não se pronunciou oficialmente sobre o vídeo. No entanto, o grupo já havia admitido, no mês anterior, ter executado três homens acusados de colaborar com Israel, ação que também foi filmada e publicada em canais do Telegram.
Papel de “polícia temporária” e aval americano
O acordo mediado pelos Estados Unidos prevê que o Hamas abandone o poder e que Gaza seja administrada por um comitê palestino sob supervisão internacional. Uma força policial treinada por uma missão multinacional assumiria a segurança do território desmilitarizado.
Contudo, o próprio Trump sugeriu que o Hamas recebeu autorização temporária para atuar como força de segurança local.
“Eles querem acabar com os problemas, e têm sido abertos sobre isso. Nós demos aprovação por um período de tempo”, afirmou o presidente americano a jornalistas, durante seu trajeto ao Oriente Médio.
A declaração reforçou a percepção de que Washington toleraria a presença armada do Hamas enquanto o cessar-fogo estivesse em vigor, desde que o grupo colaborasse para evitar o caos em Gaza.
“Não haverá vácuo de segurança”
Em entrevista à Reuters, Ismail al-Thawabta, chefe do escritório de mídia do Hamas, declarou que o grupo “não permitirá um vácuo de segurança” e que manterá “a proteção dos cidadãos e de seus bens”.
Apesar disso, o Hamas afirmou que não entregará suas armas e que só o fará quando houver um Estado palestino unificado e reconhecido. O movimento também rejeitou qualquer administração estrangeira sobre Gaza, alegando que “apenas os palestinos” devem decidir o futuro do território.
Especialistas avaliam que a recente repressão e os assassinatos demonstram a tentativa do Hamas de reafirmar autoridade interna, após a devastação provocada pela guerra e a perda de apoio popular em várias cidades da Faixa de Gaza.