“Graças a Deus não aconteceu nada comigo, não. Estou vivinho da silva aqui”, disse Marcelo ao aparecer por videochamada na audiência, surpreendendo o tribunal.
Como o erro aconteceu
O caso teve início em 28 de julho de 1997, quando Ricardo e Marcelo, então com 21 anos, foram juntos a uma festa em Maceió. Após o evento, Marcelo desapareceu, sem dar notícias à família, que acreditou que ele havia sido assassinado.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Dias depois, um corpo encontrado como indigente foi reconhecido pela família como sendo o de Marcelo, o que levou a polícia a indiciar Ricardo por homicídio. Ele chegou a ficar preso por dois meses e foi libertado após Marcelo retornar a Maceió para esclarecer o mal-entendido.
No entanto, segundo o processo, a polícia nunca comunicou oficialmente o erro à Justiça, e o caso continuou ativo por quase 30 anos, mantendo Ricardo como foragido em registros oficiais.
Prisão injusta e absolvição
Em agosto de 2025, o pedreiro foi preso novamente, acusado pelo mesmo crime. Na audiência de custódia, o juiz decidiu investigar se a vítima estava realmente viva, e o resultado surpreendeu a todos: Marcelo apareceu pessoalmente em vídeo confirmando sua identidade.
A partir dessa prova, o magistrado reconheceu o “erro grave” cometido pela polícia e pelo sistema judicial na década de 1990, e arquivou definitivamente o processo.
Vida após o erro
Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, Ricardo relatou que viveu todo esse tempo sem saber que ainda constava como criminoso. Casado e com filhos, ele afirmou que espera agora receber uma indenização do Estado pela injustiça.
“Foram anos carregando uma culpa que não era minha. Quero seguir minha vida em paz e ser reconhecido como inocente”, declarou.
O Tribunal de Justiça de Alagoas abriu um procedimento interno para apurar responsabilidades pelo erro e verificar por que a correção não foi feita após 1997.