O que aconteceu na madrugada de 6 de março de 2023
O incidente ocorreu na Touchstone Granite & Marble, uma loja de mármore e granito. Kenneth Voyles, que vivia em situação de rua à época, entrou no estabelecimento alegando que procurava um lugar aquecido. Contudo, ele próprio admitiu ter pegado uma bolsa de ferramentas do local — ou seja, confessou o furto.
Por volta das 5h30 da manhã, o proprietário James Grant chegou ao trabalho e encontrou Kenneth dentro da loja. A partir desse momento, as versões dos dois divergem completamente.
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Entrar no grupo A versão de Kenneth: pedidos de desculpa ignorados e tiros sem aviso
Segundo o processo movido por Kenneth, ele teria pedido desculpas ao ser flagrado, mas James teria ignorado e reagido com violência imediata: arremessou contra ele uma caneca de café e peças pesadas de revestimento.
Diante da agressão, Kenneth diz ter pego um alicate corta-vergalhões apenas para se proteger. Ele afirma que tentou fugir, mas não conseguiu destrancar a porta. Foi nesse momento que James teria aparecido armado e aberto fogo sem qualquer advertência prévia.
“Você vai morrer, cara!”, teria gritado o proprietário, segundo Kenneth. O invasor alega que James atirou em seu peito à queima-roupa e disparou novamente enquanto ele tentava escapar pela abertura danificada da porta da garagem.
James Grant conta uma história completamente diferente
Em entrevista à emissora KPTV, James Grant apresentou uma narrativa oposta. Para ele, a situação representava risco real de morte.
“Passou pela minha cabeça que ele estava pronto para me atacar. Quando ele pegou o alicate corta-vergalhões, levantou-o e começou a vir na minha direção. Tive sorte: consegui correr uns 4,5 metros, pegar minha arma e voltar. Ele continuava ali parado, pronto para agir. Ele começou a vir na minha direção. Mais uma vez, não olhei para trás para ver a que distância ele estava, pois minha mentalidade mudou: percebi que minha vida estava em perigo real.”
O empresário também afirma que ordenou repetidamente que Kenneth se deitasse no chão, mas o invasor se recusou a obedecer.
“Tudo aconteceu tão rápido que acabei tendo de atirar. Só atirei quando ele estava parado, olhando para mim e pronto para avançar. Depois, deixei que ele fosse embora, pois só queria que aquilo acabasse. Nunca quis passar por um confronto como esse, mas, graças a Deus, eu estava armado naquela manhã”, afirmou ele.
Ferimentos graves — consequência direta da própria escolha de invadir e roubar
Após fugir do prédio, Kenneth foi encontrado pela polícia na rua e levado ao hospital em estado estável. O processo judicial detalha lesões sérias: colapso pulmonar, ferimentos penetrantes no tórax e fraturas com estilhaçamento de ossos no braço direito. Ele teria necessitado de extensas reparações vasculares e várias cirurgias de emergência.
Ninguém minimiza a gravidade dos ferimentos. Mas é impossível ignorar o fato de que tudo começou com uma invasão criminosa seguida de furto confesso. Kenneth não era um cliente, um visitante ou um transeunte — era um invasor dentro de uma propriedade privada, de madrugada, com bens alheios nas mãos.
Processo busca responsabilizar o dono da loja que foi invadida
Na ação judicial movida contra a Touchstone Granite & Marble e contra James Grant, Kenneth acusa o empresário de agressão física, ameaça, negligência e de causar intencionalmente sofrimento emocional. O valor pedido é de US$ 10 milhões.
O caso levanta um debate inevitável: até que ponto a legislação permite que alguém que comete um crime se volte contra a própria vítima e exija reparação milionária? Se Kenneth de fato procurava apenas abrigo contra o frio, por que confessou ter pegado a bolsa de ferramentas? E se os tiros foram excessivos, a responsabilidade original pelo desdobramento violento não recai sobre quem decidiu invadir o imóvel?
O processo segue tramitando na Justiça do Oregon. Enquanto isso, o caso já gera indignação e perplexidade tanto nos Estados Unidos quanto fora dele.