Tao Zhou, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e principal autor da pesquisa, destacou a gravidade do problema: muitos pacientes não conseguem controlar a pressão nem tomando de três a cinco remédios diferentes. Diante desse cenário, os pesquisadores afirmam que dispositivos bioeletrônicos podem se tornar uma alternativa promissora. Esses aparelhos utilizam sinais elétricos leves para estimular o próprio corpo a regular funções essenciais, como a pressão arterial.
Como o CaroFlex atua no organismo
O funcionamento do CaroFlex se baseia em um mecanismo natural já existente no corpo humano. Sensores nervosos localizados nas paredes das artérias — especialmente na região da carótida, no pescoço — detectam variações na pressão sanguínea e enviam sinais ao organismo para que o fluxo de sangue seja ajustado automaticamente. O implante estimula exatamente esse sistema de autorregulação.
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Entrar no grupo De acordo com os cientistas, o dispositivo utiliza pequenos estímulos elétricos e não provocou danos aos tecidos durante duas semanas de observação. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Device.
Material flexível supera limitações de dispositivos tradicionais
Aparelhos com função semelhante já existem, mas geralmente são construídos com materiais rígidos, como metal e plástico. Essa rigidez representa um obstáculo, pois dificulta a adaptação ao movimento contínuo das artérias, que se expandem e se contraem para bombear o sangue.
Segundo Zhou, com o tempo, essa incompatibilidade mecânica pode provocar desgaste tanto no dispositivo quanto nos tecidos do corpo. Para contornar essa limitação, a equipe desenvolveu o CaroFlex usando um hidrogel impresso em 3D, material macio com textura semelhante à de gelatina. O implante é composto por duas partes: uma que conduz eletricidade e funciona como eletrodo, e outra que promove a adesão ao tecido biológico sem causar toxicidade.
Desempenho nos testes laboratoriais
Os resultados em laboratório foram animadores. O implante conseguiu esticar mais do que o dobro do seu tamanho original antes de se romper. Além disso, o material adesivo manteve estabilidade mesmo após seis meses armazenado. Comparado a eletrodos tradicionais feitos de platina, o CaroFlex demonstrou melhor fixação nos tecidos e uma conexão elétrica mais estável.
Próximos passos da pesquisa
Com os testes em ratos concluídos, a equipe agora planeja ampliar os estudos e refinar o funcionamento do implante antes de iniciar testes em seres humanos.
“Nosso laboratório está trabalhando no desenvolvimento de bioeletrônicos impressos em 3D para diferentes partes do corpo.” — Tao Zhou, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia.
O pesquisador acrescentou que a técnica de fabricação por impressão 3D pode facilitar a produção em escala e a adaptação desses dispositivos para futuros testes clínicos e eventual uso comercial.