Setor de serviços e comércio lideram os registros
O segmento de serviços respondia por 55,7% das empresas negativadas em junho. Logo atrás, o comércio representava 32,2% do total. Cada CNPJ com pendências acumulava, em média, 7,3 contas vencidas — que podem incluir obrigações com bancos, fornecedores ou prestadores de serviços essenciais, como energia elétrica e telecomunicações. O valor médio por empresa inadimplente ficou em R$ 25.508,96.
Micro e pequenas empresas são 95% dos inadimplentes
Os negócios de menor porte sofrem o impacto mais severo. Das 9,1 milhões de empresas com dívidas em atraso, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas — proporção que equivale a cerca de 95% do universo de inadimplentes.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Juros altos e consumo enfraquecido agravam o quadro
O crescimento da inadimplência ocorre em um cenário de crédito caro e demanda pressionada. Apesar de o ciclo de redução dos juros já ter sido iniciado, a taxa Selic se mantém em 14% ao ano — patamar que encarece empréstimos, capital de giro e qualquer tentativa de renegociação.
Do lado do consumo, o problema se retroalimenta. Dados da Serasa Experian apontam que 83,9 milhões de consumidores estavam negativados em julho. Com parcela maior da renda comprometida com dívidas e despesas básicas, o dinheiro disponível para adquirir produtos e serviços diminui — reduzindo as receitas das empresas.
Recuperações judiciais ganham ritmo acelerado
A dificuldade em honrar compromissos financeiros também se reflete no aumento dos pedidos de recuperação judicial, instrumento que permite a empresas em crise renegociar dívidas com credores sob supervisão da Justiça. Neste último fim de semana, a Marabraz recorreu ao mecanismo para renegociar aproximadamente R$ 140 milhões em débitos.
No entanto, a recuperação judicial costuma ser uma ferramenta acessível sobretudo a empresas de maior porte. Negócios menores dependem, na prática, de negociações diretas, programas públicos ou linhas de crédito bancárias.
Programas governamentais já renegociaram R$ 28 bilhões
Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo divulgados pelo O Globo, iniciativas voltadas a empresas de menor porte já movimentaram R$ 28 bilhões em renegociações. Foram 185 mil operações realizadas pelo Pronampe, totalizando R$ 26 bilhões, além de 47 mil operações no ProCred 360, que somaram R$ 2 bilhões.