81,7 milhões de consumidores inadimplentes
O quadro se torna ainda mais preocupante quando cruzado com outros levantamentos recentes. A Serasa aponta que 81,7 milhões de consumidores estão inadimplentes em 2026, o que equivale a aproximadamente metade da população adulta do país. O elevado nível de endividamento das famílias reforça a gravidade da situação econômica atual.
Especialista critica foco em renegociação e cobra educação financeira
Para Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapial e especialista em educação financeira, os números revelam um problema de natureza estrutural. Segundo ele, programas voltados à renegociação de débitos cumprem um papel relevante ao aliviar quem já se encontra em dificuldade, mas não atacam a raiz do problema.
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Entrar no grupo Akira destaca que o Brasil ainda carece de uma formação financeira sólida desde os primeiros anos da vida escolar. Na sua avaliação, grande parte dos brasileiros só entra em contato com noções de economia quando já está enfrentando dificuldades.
“Formamos consumidores antes de formar cidadãos financeiramente conscientes”, afirma o especialista. “Muitas pessoas aprendem sobre juros, crédito e endividamento da pior forma possível: quando já estão enfrentando problemas financeiros. Isso gera um ciclo que se repete de geração em geração.”
Prioridade deve ser formar poupadores, não investidores
A análise de Carlos Akira Sato defende que o país precisa, antes de fomentar uma cultura de investimentos, criar o hábito da poupança entre os cidadãos. De acordo com ele, a educação financeira deveria abranger conceitos essenciais, como:
- Organização do orçamento pessoal e familiar;
- Compreensão sobre o impacto dos juros;
- Distinção clara entre consumo e construção de patrimônio;
- Desenvolvimento do hábito de poupar.
Responsabilidade não é apenas do poder público
O especialista ainda ressalta que a tarefa de educar financeiramente a população não pode recair exclusivamente sobre o governo. Segundo Akira, empresas, instituições financeiras e famílias também precisam assumir papel ativo nesse processo para que o ciclo de inadimplência seja efetivamente interrompido.