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Indicação de Messias ao STF provoca desgaste entre Lula e Alcolumbre

Presidente do Senado não foi avisado e aliados falam em quebra de cortesia institucional

Anúncio inesperado acentua tensão entre Planalto e Senado

O anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio da Silva de que Jorge Messias será o escolhido para a vaga deixada por no Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu fricções entre o Planalto e a cúpula do Congresso. A comunicação, realizada durante o feriado e sem aviso prévio ao presidente do , Davi Alcolumbre (União-AP), foi interpretada como um gesto de descompasso político, segundo informações divulgadas pelo portal G1.

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De viagem ao Amapá, Alcolumbre declarou que não recebeu qualquer aviso sobre a decisão presidencial:
“Não recebi nenhum telefonema do presidente Lula, nem mesmo do líder do governo, Jaques Wagner, sobre a indicação de Messias.”

A situação causou surpresa entre os senadores porque Alcolumbre é justamente quem irá comandar a sabatina e a votação que decidirão o futuro do indicado — e vinha, nos bastidores, articulando apoio ao nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF.

Aliados criticam anúncio em pleno feriado

Parlamentares próximos ao presidente do Senado consideraram o momento do anúncio um erro político. Ainda segundo o G1, integrantes aliados classificaram a iniciativa como “inoportuna” e afirmaram que seria razoável informar Alcolumbre antes da divulgação pública, devido ao papel central que desempenhará na tramitação da indicação.

O incômodo ultrapassou o Legislativo. Dentro do próprio STF, próximos a Lula — que defendiam a ida de Pacheco à Corte em reconhecimento à sua atuação na crise institucional de 2022 — viram o anúncio de Messias como o encerramento definitivo dessa articulação.

Conversas entre Lula e Pacheco e o futuro político do senador

Um dia antes da indicação, na segunda-feira (17), Lula conversou pessoalmente com Pacheco. Segundo relatos de bastidores, o senador entendeu que sua chance de assumir uma cadeira no Supremo estava encerrada e disse ao presidente que não pretende concorrer em 2026, sinalizando possível despedida da vida pública.

Lula, porém, demonstrou interesse em vê-lo candidato ao governo de Minas Gerais, já que o atual governador, Romeu Zema, está impedido de tentar nova reeleição e planeja disputar a Presidência.

Governo tenta conter danos e defender o nome de Messias

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, buscou amenizar o clima e reforçou confiança na aprovação do indicado. Ele ainda cobrou tratamento equivalente da oposição, recordando seu comportamento durante o governo anterior:

“Nunca trabalhei contra nem contra Nunes Marques. A bancada do PT votou a favor dos indicados de Bolsonaro. Espero reciprocidade e que não trabalhem contra Messias, porque a indicação é prerrogativa do presidente da República.”

A fala, no entanto, não foi suficiente para dissipar a apreensão no Planalto. A reeleição apertada de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República — com apenas quatro votos acima do mínimo — reforçou a percepção de que Messias pode enfrentar resistência real e não alcançar os 41 votos necessários sem articulação direta de Lula.

Resistências internas e divergências no Supremo

A opção de Lula segue o padrão adotado nas indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino: confiança pessoal e afinidade política. O governo acredita que o perfil evangélico de Messias pode atrair votos conservadores — inclusive de ministros como André Mendonça.

Mas a escolha gerou irritação dentro de uma ala do STF que defendia o nome de Pacheco. Para esses ministros, o senador representaria “segurança institucional” e havia desempenhado papel crucial para a estabilidade do país.

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