Inflação dos alimentos ameaça campanha de Lula e expõe fragilidade do governo na economia real
Levantamento da Kinitro revela que a inflação dos alimentos reduz a aprovação de Lula e já se tornou campo de batalha eleitoral contra Flávio Bolsonaro
Por ContraFatos 27/07/2026 Atualizado em 27/07/2026
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro - (Evaristo Sa/Daniel Ramalho/AFP)
Estudo da Kinitro revela como a alta dos preços no supermercado corrói a aprovação presidencial e acende o alerta para 2026
A perda de poder de compra provocada pela inflação dos alimentos já se converteu em uma das maiores vulnerabilidades do governo Lula rumo à disputa presidencial. É o que demonstra um levantamento produzido pela gestora de capitais Kinitro, que quantificou o impacto direto da carestia sobre a avaliação do Executivo federal.
Cada ponto a menos no bolso do brasileiro pesa na aprovação de Lula
Segundo o estudo, a cada redução de 1 ponto percentual no poder de compra da população, a avaliação positiva do governo sofre uma queda automática de 0,4 ponto ao longo de um trimestre. Trata-se de um dado preocupante para o Planalto, especialmente porque a carestia anula os efeitos de indicadores econômicos supostamente favoráveis, como emprego e renda. Em outras palavras, mesmo quando o governo tenta vender números positivos, o peso do carrinho de supermercado fala mais alto para o eleitor.
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Bem-estar da população está longe do que já foi
A pesquisa da Kinitro traz ainda outro dado revelador: o bem-estar da população hoje está significativamente abaixo da memória afetiva de consumo que as famílias brasileiras cultivam do período entre 2010 e 2015. Naquela época, o brasileiro médio conseguia adquirir quase três cestas básicas com sua renda líquida. Atualmente, esse índice recuou 20% em comparação àquele período. A distância entre a realidade e a lembrança do passado cria uma barreira persistente para a aprovação do governo Lula em diversos segmentos da sociedade.
Flávio Bolsonaro explora o tema e governo reage com pressa
Os dados do estudo ajudam a entender por que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, escolheu justamente a inflação dos alimentos como instrumento para desgastar Lula a poucos meses da eleição. O senador publicou dois vídeos nas redes sociais sobre a alta dos preços. Em um deles, aparece em um supermercado fazendo compras, reclamando do encarecimento dos produtos e traçando comparações com valores praticados em 2019, primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro.
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Consciente do potencial explosivo do assunto — num cenário que já aponta uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro —, o governo não demorou a reagir. A resposta veio por meio de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, escalado às pressas para rebater as investidas do adversário.
A contra-ofensiva de Boulos
Boulos acusou o senador de mentiroso e sustentou que os valores utilizados nas comparações foram manipulados para induzir o espectador a acreditar que os preços teriam subido muito durante a gestão petista. O ministro argumentou que a forma correta de estabelecer a comparação seria com os preços de 2022, ao final do mandato de Jair Bolsonaro. “Perceberam o truque? Mais uma vez, Flávio Bolsonaro tenta enganar as pessoas. Um cara que manipula e mente até no mercado não merece a confiança de ninguém”, concluiu.
A velocidade da reação oficial, no entanto, diz mais sobre o nervosismo do governo do que sobre sua capacidade de resolver o problema. Enquanto o Planalto gasta energia respondendo a vídeos nas redes sociais, a população continua sentindo no bolso o peso de uma inflação que nenhum discurso político consegue disfarçar. E é justamente essa realidade — a do supermercado, não a do palanque — que pode definir o rumo da próxima campanha presidencial.