A família, ainda de acordo com a defesa, foi orientada de que a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca funciona apenas de segunda a sexta-feira, até as 17h, e que seria necessário procurar o Conselho Tutelar na segunda-feira. A mulher afirmou à polícia que tentou contato com os dois conselhos tutelares da cidade, mas que não recebeu respaldo. O registro formal da acusação de abuso na DDM só ocorreu na segunda-feira (24), a mesma data da agressão.
Como aconteceu a agressão com canivete
De acordo com o boletim de ocorrência, os fatos ocorreram por volta das 9h55 na Avenida Major Nicácio, bairro Cidade Nova, em frente à loja onde uma tia de Laryssa trabalha. A influenciadora havia ido ao local para contar à tia o que a filha relatara.
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Entrar no grupo Segundo o documento policial, Maikel Wilker Martins se aproximou da mulher perguntando se ela “já sabia o que ocorrera”, caminhou até seu veículo e retornou em direção a ela. A influenciadora declarou à polícia que, ao perceber que ele iria pegá-la à força, sacou um canivete da bolsa e desferiu um golpe.
Na sequência, conforme o boletim, o homem a teria pressionado com o próprio corpo contra o braço de um banco. Ela relatou ter desferido novos golpes em legítima defesa, enquanto pedia socorro. O canivete foi apreendido e lacrado pelas autoridades. Laryssa informou à polícia que acredita haver câmeras de monitoramento no local. A tese de legítima defesa é a versão apresentada por ela e ainda será investigada.
Ferimentos e encaminhamentos
Maikel Wilker Martins foi socorrido e levado à Santa Casa de Franca. A influenciadora também ficou ferida, com lesões nas costas, nos braços, nas mãos e nas pernas, tendo sido encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exame de corpo de delito. Nenhuma das partes foi presa — o documento policial registra que não houve flagrante.
Conselho Tutelar contesta versão da mãe
Procurado pela reportagem, o Conselho Tutelar de Franca afirmou que opera em regime ininterrupto. “Nós atendemos 24 horas”, disse uma conselheira. O órgão declarou que só tomou conhecimento do caso por volta das 12h de segunda-feira, por meio das redes sociais. O boletim registrado na DDM foi encaminhado ao Conselho às 14h24 do mesmo dia. Até aquele momento, não existia qualquer registro próprio sobre a situação.
O Conselho informou que tentou contato com a mãe, sem sucesso até o momento da entrevista, e que irá avaliar a aplicação de medidas de proteção à criança.
Situação das investigações
A acusação de estupro de vulnerável contra Maikel Wilker Martins foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher de Franca e corre em investigação separada. Ele não foi preso, indiciado nem denunciado até a última atualização. O caso de lesão corporal é apurado pela Polícia Civil, e o boletim orienta sobre o prazo de seis meses para oferecimento de representação criminal.
O homem não compareceu à delegacia por estar em atendimento na Santa Casa. A autoridade policial justificou o registro do boletim para melhor apuração dos fatos. A reportagem tentou localizar a defesa de Maikel Wilker Martins, mas não obteve êxito até a última atualização.
Canais de denúncia
Denúncias de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, serviço gratuito e anônimo. Casos de violência contra a mulher podem ser reportados pelo 180.