Moraes sabia dos documentos antes da divulgação formal
Embora a decisão de Mendonça não afirme que Moraes tenha ordenado a produção dos materiais, a investigação poderá revelar se o ministro teve algum tipo de envolvimento antes da conclusão dos documentos — ou se apenas tomou conhecimento do conteúdo depois de prontos. Um detalhe reforça a primeira hipótese: segundo Mendonça, Moraes já tinha ciência da existência dos relatórios antes de eles serem formalmente apresentados nos autos do processo.
Seis relatórios produzidos em menos de um mês
De acordo com a decisão, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, remeteu os documentos por meio de um ofício datado de 1º de setembro — dois dias antes de sua divulgação nos autos. Mendonça aponta ainda que ao menos seis relatórios foram elaborados entre 3 e 31 de agosto por setores de inteligência da corporação. A questão central permanece sem resposta: quem ordenou a produção?
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Entrar no grupo “Monitoramento sistemático” e “coleta dirigida” de informações
Na avaliação de Mendonça, os documentos evidenciam “monitoramento sistemático” e “coleta dirigida” de informações direcionadas a ele próprio e ao advogado-geral da União, Jorge Messias. Por essa razão, identificar quem demandou esses relatórios é considerado um dos pontos mais sensíveis de toda a apuração.
Investigação pode ir além da estrutura da PF
Caso a Corregedoria consiga identificar apenas os servidores responsáveis pela produção dos documentos, o caso tende a ficar circunscrito à estrutura interna da Polícia Federal. Entretanto, se a apuração revelar quem efetivamente solicitou ou orientou o trabalho, o alcance pode se estender a outras autoridades.
É justamente nesse ponto que Alexandre de Moraes pode retornar ao epicentro da discussão. O conhecimento prévio sobre a existência dos documentos, conforme relatado por Mendonça, chama atenção. Ainda assim, isso não constitui, por si só, prova de que o ministro tenha determinado a elaboração dos materiais.
Proibição de novos relatórios de inteligência contra autoridades
Além de ordenar a investigação, Mendonça estabeleceu uma proibição expressa: está vetada a produção, preparação e circulação — inclusive internamente na PF — de quaisquer novos documentos de inteligência destinados a analisar atos praticados por ministros do STF, integrantes da advocacia pública e autoridades da polícia judiciária.
A partir de agora, cabe à Corregedoria desvendar como esses relatórios foram originados e quem esteve envolvido em cada etapa do processo. À medida que as respostas surgirem, a pergunta sobre quem mandou produzir os documentos pode deixar de ser apenas uma questão interna da PF e passar a envolver diretamente Alexandre de Moraes.