Irmão de ex-líder do Hamas chama brasileiros mortos por terroristas de “bandidos” em evento da Apeoesp
Em ato do PCO na Apeoesp, irmão de ex-líder do Hamas chamou brasileiros mortos em ataque terrorista de “bandidos”.
Por ContraFatos 11/10/2025 Atualizado em 11/10/2025
Ahmed Shehada, médico palestino-brasileiro e irmão de ex-líder do Hamas | Foto: Reprodução/Redes sociais
Declaração de Ahmed Shehada, médico palestino-brasileiro, ocorreu em ato promovido pelo PCO em homenagem ao grupo extremista
Durante um evento promovido pelo Partido da Causa Operária (PCO) em homenagem ao Hamas, realizado na última terça-feira (7) na sede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), o médico Ahmed Shehada, irmão de um ex-líder do grupo terrorista, afirmou que os brasileiros mortos nos ataques do Hamas a Israel eram “bandidos”.
“São bandidos importados e trazidos da Europa com nada a ver com essa terra, alguns até brasileiros”, disse Shehada. “ ‘Mas foram mortos brasileiros’, mas o que estavam fazendo brasileiros lá? Nessa terra? Um bandido.”
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A fala foi feita durante o ato que “comemorava” os dois anos dos ataques terroristas no sul de Israel, em 7 de outubro de 2022, que deixaram mais de 1,2 mil mortos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, militantes do Hamas atacaram civis, turistas e jovens em uma rave, agindo com extrema violência e transmitindo vídeos celebrando as mortes.
Entre as vítimas estavam quatro brasileiros: Michel Nisenbaun, Karla Stelzer, Ranani Glazer e Bruna Valeanu. Todos foram assassinados durante os atentados.
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Ahmed Shehada é irmão de Salah Shehadeh, ex-líder militar do Hamas, morto em julho de 2002 durante uma operação israelense. Ahmed é médico, cidadão brasileiro desde 2015 e preside o Instituto Brasil–Palestina (Ibraspal), entidade que mantém vínculos com organizações políticas palestinas.
Evento do PCO homenageia atentados terroristas do Hamas | Foto: Reprodução/X
Em 2023, ele ficou detido por mais de 24 horas no Aeroporto Internacional de Tocumen, no Panamá, entre os dias 16 e 18 de novembro. Segundo relatou à CNN, foi impedido de seguir viagem por suposta “perseguição política” em razão de sua origem e laços familiares com o Hamas.
Shehada contou que seria palestrante em um evento na Colômbia e que foi o único retido de um grupo de cinco viajantes, sendo interrogado por cerca de 20 agentes, sem acesso a advogado ou telefone.
Chocante.
No ato promovido por extremistas de esquerda para comemorar os ataques do Hamas em 7/10, Ahmed Shehada disse que os brasileiros mortos pelos terroristas eram “bandidos”.
Vale ressaltar: o evento aconteceu dentro do Sindicato de Professores do estado de São Paulo pic.twitter.com/RbOLHWUw35
O ato em homenagem ao Hamas estava inicialmente marcado para ocorrer na Academia Paulista de Letras (APL), mas foi cancelado após a instituição descobrir o conteúdo e o propósito da reunião.
“A academia foi consultada exclusivamente quanto à possibilidade de locação de seu auditório para uma reunião promovida pelo PCO. Tão logo teve conhecimento do conteúdo e do caráter da referida manifestação, a academia recusou prontamente a cessão do espaço”, informou a APL em nota.
Após a desistência, o PCO divulgou um novo cartaz, informando que o evento seria transferido para a Apeoesp, e publicou críticas à decisão da APL.
“Frente ao apoio vergonhoso da Academia Paulista de Letras (APL) a ‘Israel’ e ao genocídio em Gaza, fomos obrigados a mudar o local da manifestação”, escreveu o partido nas redes sociais.
Na mesma publicação, o PCO acusou a instituição de se curvar à “pressão sionista e criminosa que o imperialismo tenta fazer para censurar o ato”.
Repercussão e pedido de investigação
A realização do evento e as declarações de Ahmed Shehada geraram forte reação pública. A vereadora paulistana Cris Monteiro (Novo) classificou a homenagem como “uma das coisas mais repugnantes” que já presenciou e solicitou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investigue o caso.
O ato também foi criticado por parlamentares e organizações judaicas, que apontaram apologia ao terrorismo e desrespeito às vítimas brasileiras assassinadas nos atentados de 2022.