Argumento central: impossibilidade de premonição
A fundamentação de Nicolao Dino girou em torno do encontro de Gonet com o banqueiro Daniel Vorcaro em Londres, ocorrido em abril de 2024. Na avaliação do subprocurador-geral, não seria razoável cobrar do procurador-geral a capacidade de antecipar que, dois anos depois, Vorcaro se tornaria peça central de uma investigação criminal.
“Era exigível de qualquer um de nós, inclusive do procurador-geral da República, realizar um juízo de premonição em abril de 2024 para antever que, daqui a dois anos, aquele cidadão que está na foto seria um elemento central de uma grande cadeia de fatos criminosos?”, questionou Nicolao. “Isso é inviável, isso é inadmissível. É um exercício de premonição que, evidentemente, é impossível de ser feito.”
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Entrar no grupo Sem indícios de favorecimento, avalia Nicolao
Além de rejeitar a tese de que o encontro em Londres configurasse irregularidade, Nicolao Dino declarou que a atuação subsequente de Gonet não apresentou sinais de favorecimento a Vorcaro nem de obstrução às investigações.
“Todos os atos que têm sido praticados pelo procurador-geral não indicam, na leitura que faço, nada que permita extrair uma possível prática, um possível comportamento que leve à satisfação de interesse ou sentimento pessoal dele ou de outra pessoa”, afirmou o presidente da sessão.
Gonet permanece à frente do caso Master
Em votação separada realizada na mesma sessão, o Conselho Superior do MPF decidiu, por unanimidade, manter Paulo Gonet como responsável pelos processos relativos ao Banco Master. O procurador-geral foi reconduzido ao cargo de PGR até 2027.
A decisão do colegiado encerra, ao menos por ora, a tentativa de abrir uma apuração formal sobre a conduta de Gonet no episódio. Nicolao Dino, contudo, ainda deverá se pronunciar sobre desdobramentos futuros envolvendo o prosseguimento de outras frentes da apuração contra o PGR.