Itamaraty nega vistos a diplomatas americanos que supostamente questionariam urnas eletrônicas brasileiras
Itamaraty rejeitou vistos de dois diplomatas americanos que, segundo o Washington Post, pretendiam interpelar as urnas eletrônicas no Brasil
Por ContraFatos 25/07/2026 Atualizado em 25/07/2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Governo brasileiro barrou entrada de dois integrantes do Departamento de Estado dos EUA após reportagem indicar que missão envolvia o processo eleitoral
Dois representantes do Departamento de Estado dos EUA tiveram seus pedidos de vistos rejeitados pelo Itamaraty na sexta-feira 24 de julho. Riley M. Barnes, secretário-assistente da pasta, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, planejavam viajar ao Brasil, mas o governo de Lula impediu a entrada de ambos. A informação foi confirmada à Oeste por um embaixador do Ministério das Relações Exteriores.
Reportagem do Washington Post motivou reação do governo Lula
A decisão brasileira ocorreu após o jornal norte-americano The Washington Post publicar uma reportagem segundo a qual Barnes e Samson tinham a intenção de interpelar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral que será realizado neste ano no Brasil. A publicação citou quatro autoridades dos EUA e do Brasil com conhecimento direto da iniciativa.
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Diante dessas informações, o governo Lula classificou o caráter da viagem como “inusitado” e optou por negar os vistos aos dois diplomatas.
Departamento de Estado confirmou viagem, mas evitou dar detalhes
O Departamento de Estado norte-americano reconheceu que a viagem estava prevista. Contudo, não detalhou a agenda dos dois representantes nem esclareceu se a administração de Donald Trump mantém preocupações sobre a confiabilidade das eleições brasileiras.
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Segundo fontes ouvidas pela imprensa, a avaliação do Itamaraty é de que Barnes e Samson não pretendiam atuar como observadores eleitorais tradicionais. Em vez disso, desempenhariam “outro papel”, embora a natureza exata dessa função não tenha sido esclarecida.
Diplomatas são identificados como integrantes da ala conservadora
Barnes e Samson foram nomeados pelo presidente Donald Trump e são descritos pelo Washington Post como integrantes da “ala conservadora da diplomacia norte-americana”. De acordo com a publicação, ainda não havia definição sobre quais autoridades ou entidades os dois diplomatas pretendiam encontrar durante a visita ao Brasil.
O episódio intensifica as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington num momento em que o Brasil se prepara para a disputa eleitoral. A recusa dos vistos pelo Itamaraty sinaliza que o governo Lula não tolerará iniciativas estrangeiras que possam ser interpretadas como interferência no sistema eleitoral do país.