Entre os compromissos ameaçados estão pagamentos trabalhistas de contratados no exterior, aluguéis de imóveis diplomáticos e auxílio-moradia de servidores lotados fora do país.
“As parcelas de aluguel dos imóveis no exterior referentes a novembro têm, em regra, vencimentos nos primeiros cinco dias do mês. Se descumprido esse prazo, o MRE estará sujeito ao pagamento de multas e a ações de despejo”, alertou o chanceler no ofício.
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Risco de impacto nas viagens de Lula e no atendimento consular
Mauro Vieira também mencionou o risco de interrupção dos serviços consulares e do apoio logístico às viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso o reforço orçamentário não seja concedido.
O ministro argumenta que a falta de recursos pode resultar em sanções legais e até em ações judiciais no exterior contra representações diplomáticas brasileiras. Além disso, o Itamaraty precisa garantir a realização de eventos multilaterais importantes, como a cúpula de chefes de Estado do Mercosul e os encontros preparatórios da COP30, que será sediada pelo Brasil em 2025.
Além do crédito adicional, Vieira pediu também o desbloqueio de R$ 110 milhões e a antecipação de limites de pagamento de despesas já autorizadas.
Orçamento e gastos em viagens internacionais
De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, o Itamaraty dispõe de cerca de R$ 5 bilhões para custear todas as suas atividades, incluindo o funcionamento das embaixadas e o apoio às viagens oficiais da Presidência.
Desde o início do atual mandato, as viagens internacionais de Lula já custaram mais de R$ 50 milhões aos cofres públicos, conforme dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgados pelo O Globo.
Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, foram quase R$ 50 milhões apenas com hospedagens, muitas delas em hotéis de luxo. A viagem mais cara foi para Moscou, durante a guerra na Ucrânia, em que o presidente participou do Dia da Vitória soviética e gastou cerca de R$ 2 milhões em diárias.
Em 2023, Lula visitou mais de 20 países, com custos próximos a R$ 30 milhões apenas em hotéis. As planilhas do Itamaraty ainda apontam despesas adicionais com aluguel de salas, intérpretes e serviços de apoio, estimadas em US$ 5 milhões.
Governo defende gastos com diplomacia
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que a agenda internacional de Lula tem como objetivo “reposicionar o Brasil no mundo”, “recuperar a imagem do país no exterior” e “restabelecer as relações econômico-comerciais com parceiros importantes”.
Apesar disso, diplomatas reconhecem que a pressão orçamentária se agravou em 2025, diante da inflação de custos no exterior, do aumento das demandas consulares e do crescimento da agenda diplomática presidencial, que ampliou significativamente as despesas do Itamaraty.