Segundo um senador da base, membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aguardaram por três meses uma audiência com Lula, apesar de pedidos sucessivos, justamente no período em que o colegiado analisava a indicação de Messias. A falta de diálogo, na visão do parlamentar, contribuiu diretamente para a derrota.
Aliados cobram mais presença e diálogo do presidente
O senador governista, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o presidente deixou de receber amigos e aliados no Palácio da Alvorada como era de seu costume em mandatos anteriores. Para ele, Janja teria imposto certas limitações que restringiram esse convívio político.
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Entrar no grupo “Lula ficou isolado. Como pode dar certo um presidente que não conversa com senadores e deputados? Tenho vários colegas que reclamam disso e vivem me pedindo para conseguir uma agenda com ele”, ressalta o parlamentar, lembrando que há projetos importantes de interesse do Planalto que ainda serão votados antes das eleições.
Na avaliação do senador, ao dificultar o acesso de políticos tanto ao Planalto quanto ao Alvorada, a primeira-dama tem deixado o presidente distante das articulações, o que estaria resultando em derrotas do governo em votações importantes no Congresso Nacional.
Gabinete próprio e influência sem cargo formal
Janja mantém um gabinete próprio no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha e se reúne com autoridades. A estrutura a coloca como uma espécie de autoridade sem cargo oficial — uma “ministra sem cargo”, na definição que circula entre governistas. O tamanho de sua influência no governo gera incômodo até mesmo entre os principais auxiliares do presidente desde o início do terceiro mandato.
A primeira-dama voltou a ser o principal assunto nas rodas de poder da capital federal, em um momento em que o governo enfrenta desafios legislativos decisivos e precisa recompor sua capacidade de articulação no Congresso.