Nesta semana, a Polícia Civil do MS deflagrou uma operação contra os suspeitos de envolvimento no caso. Cinco adolescentes foram apreendidos e um homem de 18 anos foi preso. Os mandados de prisão e apreensão foram cumpridos em cinco estados: Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. Todos os suspeitos são investigados por homicídio qualificado e organização criminosa.
Discurso de Janja no Planalto
Ao tomar a palavra na cerimônia, Janja não mediu palavras e pressionou publicamente ministros do governo a encontrarem mecanismos para tirar a plataforma do ar, numa postura que críticos consideram uma tentativa de censurar serviços digitais sem o devido processo.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo “Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos ser mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Eu não consigo admitir um país desse”, disse a primeira-dama.
“Então a gente precisa encontrar os instrumentos legais. Queria perguntar para nossos ministros, especialmente para o da AGU, quais são os instrumentos que a gente tem?”, acrescentou Janja.
Posição do Ministério da Justiça e da AGU
O secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, revelou que a pasta identificou uma falha sistêmica nos mecanismos do Discord voltados à proteção de crianças e adolescentes. Segundo ele, um pedido de suspensão da plataforma já havia sido apresentado, mas o Judiciário o denegou.
“Nós chegamos a pedir a suspensão da plataforma e o Judiciário acabou denegando esse pedido. Mas nós estamos acompanhando a situação de perto para a apuração da responsabilidade”, afirmou Victor Fernandes.
O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, por sua vez, solicitou ao governo Lula que reunisse todas as informações sobre o caso da adolescente e sobre o Discord para que fosse preparada uma ação civil pública contra a plataforma.
“Vamos pedir a imediata responsabilização e a retirada de sua utilização pela sociedade brasileira, já que ela não tem compromisso com a sociedade e não protege crianças e adolescentes”, declarou Jorge Messias.
Bloqueio ou censura?
A postura de Janja reacende o debate sobre os limites entre proteção de menores e censura a plataformas digitais. Ao pressionar publicamente membros do governo durante um evento oficial — cobrando diretamente o chefe da AGU por instrumentos legais para derrubar o Discord — a ex-primeira-dama demonstra disposição para influenciar decisões que podem afetar milhões de usuários brasileiros da plataforma, levantando questionamentos sobre proporcionalidade e respeito ao devido processo legal.