– Eu estou me lixando de falar que é de baixo nível. Eu sei o que está em jogo, o que está em jogo é a democracia do nosso país. Antes, eu dizia que valia quase tudo. Eu mudei o meu discurso nesses quatro anos. Hoje, vale tudo para salvar a democracia – disse Janones.
A tática descrita pelo deputado consiste em desviar a atenção do público dos temas pautados pela oposição, evitando entrar no mérito das narrativas da direita. Entre as recomendações apresentadas, estão não responder fake news e, em vez disso, apresentar uma nova narrativa sobre os acontecimentos.
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Entrar no grupo Questionado sobre a ética do método, ele buscou diferenciá-lo de mentira:
– Desviar o foco não é mentir não, é você contar uma outra história.
Episódio da campanha de 2022 como exemplo de estratégia
Para ilustrar o funcionamento da tática, Janones relembrou um caso da campanha presidencial de 2022. Na ocasião, ele impulsionou a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderia nomear o ex-presidente Fernando Collor (sem partido) como ministro, caso fosse reeleito.
– Eu não vou entrar na defesa do Zé e dizer se é ou não. Eu mudei a pauta. Liguei para os meus assessores e mandei imprimir imagens do Bolsonaro com o Collor, colorido para parecer foto, e me entregaram em cinco minutos. Abri uma live, e falei: urgente, consegui aqui em exclusivo as fotos que comprovam a ligação do Bolsonaro com o Collor, e se o Bolsonaro for reeleito, ele poderá nomear o Collor ministro. Poderia mesmo, não tem nada que impedia. Ele estava com os direitos políticos dele ativos, então não era uma mentira – declarou o deputado.
‘Razão não ganha eleição’, afirmou o deputado sobre reeleição de Lula
Outro ponto abordado por Janones foi a insuficiência de resultados concretos para garantir vitórias eleitorais. Na visão dele, o presidente Lula (PT) não será reeleito se a campanha se limitar a apresentar realizações do governo.
– Razão não ganha eleição, nunca ganhou e nunca ganhará. O Lula foi o que mais entregou, o que mais transformou o país, ele foi o que melhorou a renda das pessoas. Isso não ganha eleição – declarou Janones.
O que é o programa Porta-Vozes do Lula
O evento que serviu de palco para as declarações de Janones teve como objetivo principal apresentar a iniciativa Porta-Vozes de Lula. Trata-se de um site onde apoiadores do presidente poderão se cadastrar e ingressar em grupos virtuais para cumprir “missões” — basicamente, difundir conteúdos pró-governo e contrários a apoiadores de Jair Bolsonaro.
Os participantes receberão vídeos rápidos, cards, memes e “kits de mobilização” para distribuir materiais da pré-campanha. A plataforma também oferecerá formação para atuação em redes sociais e orientação para formulação de respostas rápidas aos avanços da oposição na internet.
Edinho Silva e Guilherme Boulos também discursaram no evento
A programação contou com a presença de Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral da campanha. Em seu discurso, ele explicou que a iniciativa visa “representar Lula nas redes sociais“, ocupando os espaços onde o presidente não consegue estar pessoalmente.
– O presidente Lula não consegue estar em todas as centenas de obras que ele entregou, o presidente Lula não consegue estar em cada ponto onde tem um programa do governo Lula mudando a vida de comunidades e do povo brasileiro. Mas nós conseguimos estar – disse Edinho.
O único ministro do governo a tomar a palavra foi Guilherme Boulos, titular da Secretaria-Geral da Presidência. Ele reconheceu a vantagem da direita no cenário digital e cobrou maior capacidade de articulação online por parte da esquerda.
– As redes digitais, esse é um ponto em que eles ainda estão na nossa frente. É preciso ter humildade de reconhecer. Frequentemente, nos embates de rede, eles têm ganhado. É pelo algoritmo, big techs e eles têm mais grana? Tudo isso é verdade. Mas tem uma outra coisa, que às vezes a gente não fala, que é a organização digital – afirmou.