Delações de 2017 já apontavam esquemas de favorecimento
O histórico de problemas com órgãos de controle é extenso. Em 2017, quando os principais executivos da empreiteira Odebrecht firmaram acordos de delação premiada, os depoimentos já descreviam em detalhes a proximidade de Jaques Wagner com esquemas voltados ao favorecimento de grandes grupos empresariais.
US$ 12 milhões para campanha e relógios de luxo
Marcelo Odebrecht e o executivo Carlos José Fadigas de Souza Filho relataram aos procuradores que Jaques Wagner cobrou US$ 12 milhões destinados à sua campanha de reeleição ao governo da Bahia, em 2010. Em contrapartida, o petista teria garantido benefícios fiscais bilionários vinculados ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as indústrias da construtora.
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Entrar no grupo O diretor Cláudio Melo Filho não apenas confirmou esses repasses como acrescentou que o político também recebeu de presente dois relógios de luxo, cujo valor total foi estimado em US$ 24 mil.
Propina de R$ 10 milhões condicionada a pagamento estadual
As delações da Odebrecht também revelaram movimentações suspeitas nas eleições de 2014. Segundo os delatores, a liberação de R$ 10 milhões para o caixa do Partido dos Trabalhadores ficou atrelada à quitação de uma dívida do Estado com a Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia. Assim que o governo Wagner autorizou o pagamento de R$ 60 milhões à empreiteira, o valor da propina foi depositado em favor dos aliados do petista.
Codinomes nas planilhas do setor de propinas
O avanço das investigações ao longo da década passada expôs como funcionava a contabilidade paralela da Odebrecht. Documentos apreendidos mostraram que os operadores do esquema alteravam os apelidos atribuídos às autoridades conforme o ano e a empresa do grupo responsável pelo pagamento.
Jaques Wagner, que também ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de Dilma Rousseff, aparecia nos registros dos delatores sob os codinomes de “Passivo” e “Polo”.
As planilhas secretas do grupo traziam ainda codinomes para outros nomes de peso do Congresso Nacional que compartilhavam o balanço das fraudes. O ex-senador Romero Jucá (PMDB-RR), por exemplo, também figurava nos registros oficiais da Lava Jato.