Jobim dispara contra o STF e diz que Corte virou um conjunto de “ilhas” sem comando
Nelson Jobim critica fragmentação no STF e afirma que TV Justiça estimulou exposição pessoal, transformando a Corte em ilhas individualizadas sem liderança
Por ContraFatos 04/05/2026 Atualizado em 04/05/2026
Ex Ministro Nelson Jobim Critica STF E Diz Que Corte 'virou Ilhas' Sem Liderança Institucional
Para Jobim, TV Justiça estimulou exposição pessoal e fragmentou atuação dos ministros
A dinâmica interna do STF sofreu uma transformação profunda ao longo dos anos, na avaliação do ex-ministro Nelson Jobim. Em declaração recente, ele classificou a Corte como uma “soma de individualidades” e apontou que o tribunal perdeu sua liderança institucional.
Atuação individualizada substituiu convergência entre ministros
Jobim, que também exerceu a presidência do STF, traçou um paralelo entre o funcionamento atual e o de períodos anteriores. Segundo ele, havia maior convergência entre os integrantes do tribunal no passado. Era prática comum acompanhar o voto do relator sem necessidade de longas manifestações individuais, o que conferia mais objetividade aos julgamentos.
Leitura
Hoje, no entanto, o cenário é outro. Conforme informações da CNN, o ex-ministro avalia que a atuação dos magistrados se tornou muito mais individualizada, com menor alinhamento entre os pares.
TV Justiça teria criado ‘ilhas individualizadas’
Um dos fatores apontados por Nelson Jobim para essa mudança foi a criação da TV Justiça. Embora o canal tenha sido concebido como um instrumento de transparência, o resultado prático, na visão do ex-ministro, foi outro: a transmissão ao vivo dos julgamentos acabou estimulando a exposição pessoal dos magistrados.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
“O problema de ser visto criou essas ilhas individualizadas”, disse Jobim, resumindo sua crítica à fragmentação do comportamento dentro da Corte.
Mudança de comportamento ao longo dos anos
O relato de Jobim evidencia um diagnóstico de erosão da coesão institucional no Supremo Tribunal Federal. Para ele, o que mudou não foram apenas as decisões, mas o próprio comportamento dos ministros, que passaram a priorizar posicionamentos individuais em detrimento de uma condução coletiva e alinhada dos trabalhos.
A declaração do ex-ministro ganha relevância em um momento de intenso debate público sobre o papel e os limites de atuação do STF, tema que tem gerado repercussão política e nas redes sociais.