Washington Post diz que empresário brasileiro atuou como interlocutor informal após fracasso diplomático
O empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, teria atuado como interlocutor informal em uma tentativa de convencer Nicolás Maduro a deixar o poder na Venezuela. A informação foi revelada em reportagem publicada neste sábado (10) pelo jornal The Washington Post.
Segundo a publicação, Joesley apresentou ao líder venezuelano uma proposta de renúncia ao cargo, que incluía a possibilidade de exílio em outro país, com a Turquia citada como um dos destinos considerados.
Conteúdo da proposta apresentada a Maduro
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, o plano discutido ia além da simples saída de Maduro do poder. O pacote envolvia interesses estratégicos dos Estados Unidos, como acesso a recursos minerais e ao petróleo venezuelano, além do rompimento político com Cuba, tradicional aliada do chavismo.
Um alto funcionário da Casa Branca afirmou que Joesley Batista não atuou oficialmente a pedido do governo americano. Ainda assim, as impressões e avaliações do empresário sobre o encontro em Caracas, realizado no fim de novembro de 2025, teriam sido repassadas a Washington e consideradas no processo de análise da situação.
Rejeição do regime e fim da via negociada
As fontes relataram que a reação do regime venezuelano foi negativa. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam rejeitado integralmente as propostas apresentadas.
Com a recusa, a Casa Branca teria avaliado que não havia mais espaço para uma transição negociada, encerrando as tentativas de solução política para a crise venezueluelana.
Fracasso de iniciativas diplomáticas anteriores
A missão de Joesley Batista ocorreu após o insucesso de esforços diplomáticos formais, conduzidos por enviados oficiais e intermediários internacionais. Entre eles estava o então emissário especial Richard Grenell, além de negociações que envolveram países como o Catar.
Com o esgotamento dessas alternativas, a avaliação em Washington passou a ser de que acordos políticos não seriam mais viáveis.
Caminho para a opção militar
Segundo o Washington Post, essa leitura abriu caminho para a opção militar, que se concretizaria semanas depois na operação que resultou na captura de Maduro. A reportagem aponta que o fracasso da abordagem negociada foi decisivo para a mudança de estratégia.
Encontro em Caracas confirmado por outras apurações
A reportagem também confirma informações divulgadas anteriormente pela Bloomberg, que no início de dezembro revelou que Joesley Batista havia viajado a Caracas para tentar convencer Maduro a renunciar.
De acordo com a agência, o encontro ocorreu em 23 de novembro, poucos dias depois de o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter instado Maduro, por telefone, a deixar o país.
Autoridades do governo Trump estariam cientes dos planos de Joesley, embora o empresário não tenha sido oficialmente designado para agir em nome da Casa Branca.