Chefe da Advocacia-Geral da União recebeu honorários extras e verbas indenizatórias que superam em muito o salário médio do brasileiro
Em apenas 90 dias, o ministroJorge Messias, que chefia a Advocacia-Geral da União (AGU), acumulou mais de R$83,1 mil em penduricalhos entre janeiro e março — período correspondente aos últimos holerites disponíveis. O montante, recebido além da remuneração básica, equivale ao que um trabalhador brasileiro com salário médio de R$3,7 mil (segundo a Pnad) levaria quase dois anos — ou 22 meses — para ganhar.
Honorários advocatícios representam a maior fatia dos extras
A parcela mais robusta dos penduricalhos veio da chamada “distribuição de saldo de horários advocatícios”. Os honorários extras somaram R$77,2 mil no trimestre, com destaque para fevereiro, quando o valor atingiu R$35,2 mil. Trata-se de pagamento por atividades que, na prática, já estão contempladas nas atribuições regulares do cargo.
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Verbas indenizatórias completam o montante
Os R$5,9 mil restantes chegaram ao contracheque de Messias sob a rubrica nebulosa de “verba indenizatória”. A distribuição ao longo do trimestre ficou assim: R$2,1 mil em janeiro, R$2,1 mil novamente em fevereiro e R$1,6 mil em março.
Salário bruto e abate-teto
O contracheque do ministro, apelidado de “Bessias”, registra uma remuneração básica bruta de R$78.805,71. No entanto, o mecanismo do abate-teto constitucional desconta R$46.593,83 do montante total — o que, segundo a coluna de Cláudio Humberto, “salva o pagador de impostos de ter que bancar a fatura” integralmente.
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A revelação sobre os penduricalhos vem num momento em que Jorge Messias amarga a rejeição para ocupar uma cadeira de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, ele segue no comando da AGU, cargo de confiança do governo federal que, como mostram os números, oferece vantagens financeiras expressivas além do salário-base.
Congresso tem 80 vetos presidenciais pendentes
Em outro destaque da coluna, o Congresso Nacional ainda acumula 80 vetos presidenciais aguardando análise. A quase totalidade deles — 79 — foi assinada pelo presidente Lula (PT) durante o atual mandato. Um dos vetos, porém, permanece sem apreciação desde junho de 2022, quando foi editado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, pautar a votação dos dispositivos pendentes.