“A Gleisi vai meter a faca. Eu estava na reunião com ela e o Lula. O Lula disse: ‘Gleisi, você agilize e mexa no vespeiro da Caixa Econômica para começar’. E, evidentemente, eles estão apavorados”, declarou Guimarães.
Cargos do Centrão na mira
Segundo o deputado, o presidente Lula mantém boa relação com o atual presidente da Caixa, Carlos Vieira, que foi indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No entanto, a ação de Gleisi seria uma retaliação direta ao Centrão, após sucessivas derrotas do governo em votações na Câmara.
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Entrar no grupo Guimarães detalhou que todas as nove vice-presidências e superintendências estaduais da Caixa são indicações políticas de diferentes partidos, inclusive PL, Republicanos, PDT, Podemos e Rede.
“O cara é competente e o Lula gosta dele, mas as vices e superintendências são todas indicações políticas. Tem uma do PL, uma do Republicanos, outra do PDT, e uma do PT que o Lula não deixa tirar, que é a da Inês, ligada ao Minha Casa, Minha Vida”, explicou o petista.
Guimarães afirmou ainda que a ministra Gleisi Hoffmann já iniciou o processo de exonerações.
“Ela me disse com todas as letras: ‘Eu não vou discutir, eu vou fazer’. Já mandou tirar”, revelou o deputado.
Repercussão e reação no Congresso
A fala do líder do governo provocou reação imediata entre parlamentares. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) divulgou um vídeo nas redes sociais criticando o que chamou de “falsa oposição” do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também tem indicações políticas na Caixa.
“O PL se diz oposição, mas tem uma vice-presidência no governo Lula. Isso mostra a desmoralização completa e os acordos de bastidores entre partidos que deveriam ser adversários”, disse Kataguiri.
O “passaralho” de Lula no segundo escalão
Fontes do Palácio do Planalto confirmam que a “faxina” coordenada por Gleisi Hoffmann pode atingir cerca de 100 cargos comissionados de segundo e terceiro escalões da Caixa. O objetivo seria retirar indicados de deputados que votaram contra a MP 1303, que tratava da tributação de fundos de investimento — uma derrota que, segundo o governo, gerou prejuízo estimado de R$ 35 bilhões entre 2025 e 2026.
O movimento atingiu aliados do presidente do PP, Ciro Nogueira, além de membros do União Brasil e do PSD de Gilberto Kassab.
Para Guimarães, a reestruturação marca uma “nova fase política do governo”, voltada a consolidar apoio no Congresso e reduzir a influência de líderes do Centrão sobre estatais estratégicas.