Passageira iria de volta para São Paulo, mas foi colocada em voo para Sydney; empresa pode recorrer
A Justiça de São Paulo condenou a companhia aérea United Airlines a pagar R$ 8 mil em indenização por danos morais a uma idosa que, por erro no embarque, foi enviada para Sydney, na Austrália, quando deveria retornar ao Brasil. O caso ocorreu há mais de dois anos, mas a sentença foi proferida apenas na última quinta-feira (25).
A mulher, que possui mobilidade reduzida e não fala inglês, havia viajado aos Estados Unidos para visitar a filha. No retorno, foi conduzida em cadeira de rodas por funcionários da empresa até o portão de embarque, mas acabou colocada em um voo errado.
Viagem de 42 horas e paralisia facial
Segundo os autos, a passageira entrou em desespero ao descobrir no meio do voo que não estava a caminho de Guarulhos (SP), mas sim para o outro lado do globo. Somente após mais de 42 horas de viagem, enfrentando escalas e redirecionamentos, conseguiu chegar ao Brasil.
Por causa do contratempo, perdeu a comemoração de seu aniversário e desenvolveu paralisia facial, conforme relatou sua defesa.
Argumentos da empresa e decisão judicial
A United Airlines alegou que foi a própria passageira quem teria indicado o portão errado, além de afirmar que prestou assistência integral e reacomodou a cliente em classe executiva.
O juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 31ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou os argumentos da companhia, classificando o episódio como um “erro primário e inescusável na prestação de serviço”.
“Ser embarcada equivocadamente em um voo transcontinental para o lado oposto do globo, descobrir-se sozinha em um país estrangeiro e ser submetida a um périplo de mais de 42 horas para retornar ao seu destino original, perdendo a comemoração de seu aniversário, configura ofensa à dignidade, tranquilidade e integridade psíquica da autora”, destacou o magistrado.
O magistrado ressaltou ainda que, por se tratar de mulher idosa com mobilidade reduzida, a companhia deveria ter adotado cuidado redobrado.
Valor fixado
A passageira havia pedido inicialmente R$ 30 mil de indenização. A Justiça fixou o valor em R$ 8 mil, mas a decisão ainda cabe recurso.