Desembargador alega “técnicas convencionais de edição”
Mesmo diante de uma inconsistência tão flagrante nas imagens, o desembargador Francisco Luís Rios Alves entendeu que o conteúdo utilizou “técnicas convencionais de edição audiovisual”. Segundo ele, não foram apresentados elementos técnicos que comprovassem manipulação sintética do material. A decisão, vale destacar, ainda não é definitiva.
Quem divulgou o vídeo
O material foi publicado no Instagram em 7 de julho e compartilhado por figuras de peso do Partido dos Trabalhadores. Entre os apoiadores que replicaram o conteúdo estão o ex-ministro da Educação e líder do PT no Senado, Camilo Santana; o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão; e o ex-chefe da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira.
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Entrar no grupo Flávio Bolsonaro: alvo da Justiça pelo mesmo recurso
A contradição salta aos olhos quando se compara o tratamento dado ao caso de Elmano Freitas com a situação enfrentada por Flávio Bolsonaro. Na convenção nacional do PL que oficializou Flávio como candidato ao Planalto, foi exibido um vídeo com representação em IA de Jair Messias Bolsonaro discursando em apoio ao filho.
No conteúdo, a figura virtual do ex-presidente deixa claro, logo no início da fala, que se trata de material produzido por inteligência artificial. Bolsonaro explica que não poderia ter acesso a celular ou se comunicar publicamente por estar em prisão domiciliar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Mesmo com essa transparência — algo que o vídeo de Elmano Freitas não apresentou —, o PT moveu uma ação contra o material e aguarda resposta do TSE. Além disso, o STF investiga se Jair Bolsonaro teria descumprido medidas cautelares com a veiculação do conteúdo. O PSOL também acionou o TSE contra Flávio, acusando-o de dois crimes eleitorais.
Dois tratamentos para a mesma questão
O cenário expõe um desequilíbrio difícil de ignorar. De um lado, um petista tem seu vídeo com IA liberado pela Justiça, com a justificativa de que se tratam de “técnicas convencionais de edição”. Do outro, Flávio Bolsonaro — que veiculou material com aviso explícito de que era gerado por inteligência artificial — enfrenta ações judiciais, investigações no STF e acusações de crimes eleitorais. A seletividade no tratamento das regras eleitorais levanta questionamentos sérios sobre a imparcialidade das instituições no período pré-eleitoral de 2026.