Publicação no Instagram foi feita após prisão de Nicolás Maduro e gerou ação judicial do PT
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou, nesta quarta-feira (7), a remoção de um vídeo publicado nas redes sociais pelo deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), no qual ele associa o Partido dos Trabalhadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico na América Latina.
O conteúdo foi publicado no Instagram no último domingo (4), pouco depois da prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas autoridades dos Estados Unidos. No vídeo, Bilynskyj sustenta que o narcotráfico financia partidos de esquerda e inclui o PT e Lula nesse contexto.
Vídeo pedia prisão de Lula
Na gravação, o parlamentar afirma que o presidente brasileiro “tem que ser preso” e exibe uma imagem de Lula ao lado de Maduro, o que ampliou a repercussão da postagem nas redes sociais.
A publicação levou o PT a ingressar com ação judicial pedindo a retirada imediata do conteúdo e a responsabilização do deputado.
PT pede indenização e fala em difamação
Além da remoção do vídeo, o partido solicitou uma indenização de R$ 30 mil. Na ação, a legenda sustenta que a publicação divulga uma “narrativa sabidamente falsa e difamatória, sem qualquer lastro fático ou jurídico”, com potencial de causar danos à imagem institucional do partido.
Juiz aponta extrapolação da crítica política
A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos, da 2ª Vara Cível de Brasília. Segundo o magistrado, é necessário diferenciar a opinião política legítima de conteúdos que imputam crimes sem provas ou que incentivem violência.
Para o juiz, “a imputação de ilícitos penais, sem qualquer lastro probatório, ultrapassa o campo da crítica legítima e ingressa na esfera do ilícito civil”.
Ele também destacou que a velocidade de propagação de conteúdos na internet potencializa o dano, especialmente quando há acusações graves dirigidas a instituições políticas, o que pode gerar prejuízos de difícil reparação.
Caso Maduro corre nos Estados Unidos
No despacho, o magistrado também mencionou que o processo envolvendo Nicolás Maduro tramita em Nova York, nos Estados Unidos, onde o líder venezuelano é acusado de conspiração para narcoterrorismo, tráfico de cocaína e posse de armamento pesado — fatos que, segundo a decisão, não autorizam associações automáticas ou acusações sem prova contra terceiros no Brasil.
A decisão determina a retirada do vídeo, mas o mérito da ação — incluindo o pedido de indenização — ainda será analisado no curso do processo.