Lula antecipa herança aos filhos para fugir do tributo que ele mesmo criou
Lula reduziu seu patrimônio em 35% ao antecipar herança aos filhos antes da reforma tributária que ele próprio sancionou
Por ContraFatos 18/08/2026 Atualizado em 18/08/2026
A movimentação ocorreu no período que antecedeu mudanças importantes na tributação de heranças (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Presidente que sancionou a reforma tributária reduziu patrimônio em 35% antes das novas regras entrarem em vigor
Ironia à parte, o presidente que assinou a reforma tributária que tornou mais cara a transmissão de bens por herança no Brasil tratou de transferir seu próprio patrimônio aos filhos antes que as novas regras pegassem. A declaração de bens apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva à Justiça Eleitoral em 2026 revela uma queda expressiva: de 7,4 milhões de reais em 2022 para 4,8 milhões de reais — uma redução de aproximadamente 35%.
Transferências já registradas aos cinco filhos
De acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo, a diminuição patrimonial está ligada principalmente à antecipação de herança aos cinco filhos de Lula. A movimentação não é mera especulação: documentos obtidos pela CPMI do INSS já haviam revelado transferências de 721 mil reais do presidente a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, realizadas entre 2022 e 2023. A defesa de Lulinha confirmou que parte dos valores correspondia a adiantamento de legítima aos filhos do presidente.
Leitura
O tributo que o próprio Lula sancionou
O detalhe que não passa despercebido é o seguinte: a reforma tributária aprovada em dezembro de 2023 — sancionada pelo próprio Lula — tornou obrigatória a progressividade do ITCMD, o imposto estadual incidente sobre transmissões por herança e doações. Antes dessa mudança, estados como São Paulo podiam aplicar uma alíquota fixa, independentemente do montante transferido. Ou seja, quanto maior o patrimônio transmitido, maior seria a mordida tributária sob as novas regras.
Situação atual em São Paulo
No estado de São Paulo, a alíquota do ITCMD permanece em 4%, mas a legislação estadual ainda precisa ser adaptada à progressividade prevista pela reforma. As novas regras já aumentaram consideravelmente a atenção sobre planejamento sucessório, sobretudo entre famílias com patrimônios mais elevados — como é o caso da família presidencial.
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Toda a movimentação patrimonial de Lula ocorreu justamente no período que antecedeu as mudanças na tributação de heranças e doações. Não há evidência formal de que o presidente tenha antecipado a herança com o objetivo específico de escapar da nova tributação. A proximidade temporal entre as transferências e a reforma, porém, existe — e salta aos olhos. A motivação fiscal não foi confirmada, mas convenhamos: para alguém que criou o tributo, o timing foi impecável.