Lula copia estratégia do cercadinho de Bolsonaro para tentar parecer próximo do povo
Planalto adota formato de cercadinho para Lula, copiando estilo popularizado por Bolsonaro, de olho na campanha de reeleição do petista
Por ContraFatos 28/06/2026 Atualizado em 28/06/2026
Lula em entrevista à CNN Foto: YouTube CNN
Planalto adota formato que remete diretamente ao estilo que Bolsonaro popularizou durante seu governo
Em uma tentativa que não esconde a inspiração, o Palácio do Planalto começou a testar um novo modelo de eventos públicos para o presidente Lula. A dinâmica é conhecida: o mandatário fica de pé, cercado por apoiadores, interagindo diretamente com o público presente. O formato lembra — e muito — o famoso cercadinho que Jair Bolsonaro utilizava rotineiramente na rampa do Planalto, prática que foi amplamente criticada pelo próprio PT na época.
Insatisfação com cerimônias engessadas motivou a mudança
Desde o início do terceiro mandato, Lula tem demonstrado insatisfação com o formato tradicional das cerimônias oficiais. As queixas recaem sobretudo sobre os eventos realizados no Palácio do Planalto, marcados por discursos longos, protocolares e com pouca participação popular.
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Diante dessa frustração, a equipe presidencial passou a buscar alternativas. O novo modelo testado coloca o presidente e outras autoridades de pé, no meio do público, sem palco e sem a formalidade habitual. A ideia é transmitir uma imagem de proximidade com a população — exatamente o mesmo objetivo que movia Bolsonaro em seus cercadinhos diários.
Estratégia de olho na reeleição
A movimentação não é apenas protocolar. Segundo informações, essa estratégia poderá ser incorporada à campanha de reeleição do petista. O objetivo declarado é tornar os encontros mais dinâmicos e gerar maior interação entre Lula e seus apoiadores.
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Outra medida aprovada pelo presidente foi a realização de eventos simultâneos em diferentes regiões do país, com autoridades do governo federal representando o Planalto em cada localidade.
Improviso gerou polêmica em Belo Horizonte
Os riscos do novo formato já ficaram evidentes. Durante um evento em Belo Horizonte, na semana passada, Lula fez um comentário sobre o jogador Neymar. O presidente o chamou de “primeiro convocado home office do mundo” para uma Copa.
A declaração provocou reação imediata. O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o petista e o acusou de falta de patriotismo. O episódio evidencia os perigos do improviso — algo que aliados do presidente reconhecem abertamente.
Aliados minimizam riscos
Interlocutores de Lula admitem que o contato direto com o público pode gerar situações delicadas. No entanto, consideram que essa proximidade é um diferencial importante para o presidente. Um outro aliado minimizou os riscos ao jornal O Globo e afirmou que situações semelhantes já acontecem em eventos tradicionais com palco e discursos escritos.
Ainda assim, é difícil não observar a ironia: o mesmo cercadinho que o PT tanto condenou quando era utilizado por Bolsonaro agora é adotado como tática pelo governo Lula, numa cópia de estilo que revela mais pragmatismo eleitoral do que originalidade política.