“Enquanto a gente quer o fim das bets, o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil. Se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das pessoas. Fé é coisa séria e deve ser respeitada, qualquer que seja a sua religião”, afirmou.
Declaração de Lula mira Valadão e a Lagoinha
Na sequência, Lula fez uma defesa enfática da devoção mariana e ampliou o discurso para criticar diretamente a Lagoinha e seu principal líder pastoral. O presidente também reivindicou respeito às religiões de matriz africana.
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Entrar no grupo “Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade. A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era próximo do Vorcaro”, disse Lula.
Ao final do discurso, o ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), que concorre ao Senado, presenteou o presidente com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A devoção à santa é o coração do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do país, celebrada todos os anos em Belém.
Origem da fake news sobre o título de padroeira
A informação explorada por Lula e Janja já foi classificada como falsa. Não existe qualquer registro de declaração de Flávio Bolsonaro (PL) ou de sua assessoria indicando a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Decisões judiciais conflitantes sobre o tema
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ordenou a remoção de publicações que tratavam como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia revogar o título da padroeira. O magistrado classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico”.
Dois dias depois, no domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou a decisão de Mendonça e liberou as publicações que mencionavam a lei que reconheceu Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A medida atendeu a um pedido do ator Antônio Tabet, que teve um post removido pelas plataformas digitais. Para Dino, o conteúdo não apresentava grau de certeza de ilicitude suficiente para justificar consequências tão severas à liberdade de expressão e à liberdade religiosa.