Na reunião com os líderes religiosos, Lula declarou:
“Passei anos tendo que explicar a cor da bandeira do meu partido, eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira. Depois, questionaram a estrela do meu partido, e passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores da história da humanidade utilizavam a estrela como guia para atravessar os mares. Depois, passei a explicar a minha barba. Por que eu tinha barba? Eu falava que Jesus Cristo era barbudo.”
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Entrar no grupo Lula afirma que não faz política dentro de igrejas
Apesar do discurso com forte apelo religioso direcionado aos pastores, o presidente assegurou que não aceita convites para fazer comícios em templos. Segundo ele, a religião é “sagrada” e merece respeito.
“Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus. Então, não me convide para ir a uma assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem da católica, nem da evangélica. Eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço”, disse o presidente.
Lula também repetiu uma afirmação que já fez em outras ocasiões: a de que ele seria o ser humano com quem Deus teria sido mais generoso. Para sustentar a declaração, citou a própria trajetória, desde a infância em Pernambuco, passando pela mudança para São Paulo, até as vitórias que o conduziram à Presidência da República.
Aproximação com evangélicos ocorre em meio a desvantagem nas pesquisas
As declarações do presidente aos pastores não ocorrem por acaso. Pesquisas recentes de intenção de voto apontam crescimento expressivo do senador Flávio Bolsonaro (PL) entre o eleitorado evangélico. Em um cenário de segundo turno entre os dois, 51% dos evangélicos preferem Flávio, enquanto apenas 28% declaram voto no petista.
Diante desse quadro desfavorável, Lula intensifica os gestos de aproximação com lideranças religiosas, recorrendo inclusive a comparações com elementos sagrados do cristianismo — algo que, para muitos cristãos, configura blasfêmia quando vindo de um representante de um partido de raízes ideológicas contrárias à fé cristã.
Dados da pesquisa Quaest
A pesquisa Quaest que revelou os números do eleitorado evangélico entrevistou 2.004 pessoas a domicílio, com brasileiros de 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.