Os números são expressivos. Em 2022, a MChecon mantinha apenas um contrato com o governo federal, avaliado em 197 mil reais. Nos três anos seguintes, a empresa acumulou 13 novos negócios, atingindo um faturamento total de 63 milhões de reais — um aumento de 323 vezes em relação ao período anterior.
A amizade mediada por Fernando Bittar
“Binho” e Checon se conheceram em 2023. O intermediário foi Fernando Bittar, sócio de Lulinha e também alvo de investigação da PF por suspeitas de tráfico de influência. Após a apresentação, os dois passaram a se encontrar com regularidade tanto em São Paulo quanto em Brasília, além de realizarem diversas viagens internacionais juntos.
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Entrar no grupo Em 2024, a dupla esteve em Portugal para celebrar o aniversário de Renata Moreira, esposa de Lulinha, em um camarote do Rock in Rio Lisboa. Checon também costuma visitar o filho do presidente em Madri, na Espanha, onde Lulinha — ou “Binho” — reside atualmente com a família. No ano passado, os dois viajaram juntos pelo Japão e pela China.
A sociedade oculta dos “Musaranhos”
Além de “Binho”, a investigação da Polícia Federal identificou outro apelido atribuído ao filho de Lula. Para Roberta Luchsinger, lobista que tinha Lulinha como parceiro de negócios, ele é o “Muso”. A origem desse segundo apelido está em um grupo de WhatsApp criado pelo trio — Roberta, Bittar e Lulinha — com o nome “Musaranhos”, em referência a um animal semelhante a um rato.
No grupo, Roberta é a “Musa”, enquanto Bittar e o filho de Lula são os “Musos”. Segundo a PF, os três mantêm uma sociedade oculta informal que atua para defender interesses privados junto ao governo.
O que dizem as defesas
Procurada, a defesa de Marcelo Checon nega que a conquista dos contratos com o governo tenha qualquer relação com a amizade do empresário com o filho do presidente da República.
Já a defesa de Lulinha também nega irregularidades, sustentando que o filho do presidente não cometeu qualquer ato ilícito ao defender interesses de empresários em Brasília. As alcunhas reveladas pela investigação expõem um grau de intimidade que, segundo a PF, era desconhecido até pelos próprios familiares de Fábio Luís.