Lulinha temia que namorada de sócio expusesse esquema: “Ele é muito burro”
Mensagens da PF mostram Lulinha preocupado com namorada de sócio Fernando Bittar, que ocupou cargos no governo Bolsonaro e poderia expor esquema
Por ContraFatos 05/09/2026 Atualizado em 05/09/2026
FERNANDO BITTAR - Contrato de locação foi assinado por um amigo do sócio de Lulinha que também já foi testemunha de defesa de Lula na Lava-Jato (./Reprodução)
Mensagens da PF mostram receio de que ex-assessora do governo Bolsonaro pudesse revelar detalhes da “sociedade informal oculta”
Diálogos obtidos pela Polícia Federal no inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência no governo do pai revelam um temor específico compartilhado entre ele e a lobista Roberta Luchsinger: a nova namorada do sócio Fernando Bittar poderia comprometer todo o grupo.
Quem é a namorada que gerou preocupação
A relação entre Bittar e a mulher começou após a separação dele, em 2023. Atualmente, ela administra uma página nas redes sociais dedicada à organização de viagens para a Europa. No entanto, seu currículo profissional anterior é o que causava inquietação: ela atuou como assessora especial da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro e também exerceu funções comissionadas no Ministério dos Direitos Humanos, à época sob o comando da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
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Mensagens revelam o nervosismo de Lulinha e Roberta Luchsinger
Em conversa datada de 23 de fevereiro de 2024, Luchsinger escreveu para Lulinha: “Fefê [Bittar] tá dominado. Tá enfeitiçado. E fala agora tudo na frente da mulher”. A resposta do filho do presidente foi direta: “Vai sobrar pra gente”.
Na mesma troca de mensagens, Roberta relatou ter se encontrado com o casal na noite anterior. Segundo ela, Bittar e a namorada “continuam pedindo emprego para ela”. Lulinha quis saber se os dois haviam tocado em assuntos ligados aos negócios do grupo. “Eu desviei (do assunto). Mas ela já sabe quem é quem”, respondeu a empresária.
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A reação do primogênito foi contundente: “P. merda. Ele é muito burro“, sentenciou.
Sociedade informal oculta movia interesses privados junto a órgãos públicos
De acordo com a investigação da PF, Lulinha, Roberta Luchsinger e Bittar integravam uma sociedade informal oculta voltada a realizar interlocução com órgãos públicos para defender interesses privados. O receio central era que a namorada de Bittar, com passagem pelo governo anterior, pudesse expor detalhes dessa atuação — ou simplesmente “falar demais”.
FERNANDO BITTAR – Contrato de locação foi assinado por um amigo do sócio de Lulinha que também já foi testemunha de defesa de Lula na Lava-Jato (./Reprodução)
Uso indevido do nome de Lulinha também causava atrito
Outras mensagens anexadas ao inquérito indicam que a insatisfação de Lulinha e Luchsinger com Fernando Bittar ia além da questão da namorada. Segundo os diálogos, Kalim Bittar, irmão do sócio, estaria utilizando o nome do filho do presidente — sem seu consentimento — para tentar fechar novos negócios.
O contrato de locação vinculado ao caso foi assinado por um amigo de Bittar que também atuou como testemunha de defesa de Lula na Lava-Jato.