Saída de navios e reação imediata
Os navios partiram do porto de José, um dos principais terminais petrolíferos do país, transportando ureia, coque de petróleo e outros subprodutos. Os carregamentos têm como destino principalmente mercados asiáticos. A decisão de utilizar escolta naval foi tomada como resposta direta às ameaças formuladas pelo governo norte-americano.
Apesar da presença militar, fontes indicam que as embarcações escoltadas não constam, até o momento, na lista atual de navios sancionados pelos Estados Unidos. Isso reduziria, ao menos inicialmente, a probabilidade de apreensão imediata, já que Trump afirmou que as punições seriam direcionadas a alvos previamente sancionados.
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Entrar no grupo Trump impõe bloqueio e amplia pressão
Na noite de terça-feira, Donald Trump declarou a imposição de um “bloqueio total e completo” a petroleiros que descumprissem as sanções comerciais impostas pelos EUA, tanto na entrada quanto na saída da Venezuela. A medida faz parte da estratégia americana de intensificar a pressão econômica sobre o regime chavista.
De acordo com Samir Madani, cofundador do site TankerTrackers.com, cerca de 40% dos navios-tanque que movimentaram petróleo venezuelano nos últimos anos já foram alvo de sanções dos Estados Unidos. Recentemente, autoridades americanas apreenderam um petroleiro sancionado que seguia para a Ásia carregando aproximadamente dois milhões de barris de petróleo venezuelano.
Com o endurecimento das medidas, especialistas alertam que novas apreensões podem ocorrer nas próximas horas, dependendo da avaliação operacional das forças americanas.
Casa Branca monitora escoltas navais
Uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmou que a Casa Branca está ciente das escoltas promovidas pela Marinha venezuelana e que diversas respostas estão sendo avaliadas. No entanto, não foram divulgados detalhes sobre as discussões internas em Washington nem sobre eventuais ações adicionais.
Em paralelo, a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) divulgou comunicado afirmando que os navios ligados às suas operações seguem navegando “com total segurança, suporte técnico e garantias operacionais no exercício legítimo de seu direito à livre navegação”.
Caracas leva denúncia à ONU
Diante da escalada, Nicolás Maduro conversou por telefone com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, para denunciar o que classificou como uma “escalada de ameaças” contra a Venezuela.
O Ministério das Relações Exteriores venezuelano também publicou nota oficial criticando declarações de Trump segundo as quais o petróleo e o território venezuelanos pertenceriam aos Estados Unidos. Para Maduro, tais afirmações “devem ser categoricamente rejeitadas pelo sistema das Organizações das Nações Unidas, pois constituem uma ameaça direta à soberania, ao direito internacional e à paz”.
A mobilização naval e a reação diplomática indicam que o impasse entre Caracas e Washington entrou em uma fase mais sensível, com potencial de impacto direto na segurança regional e no mercado internacional de energia.