Três milhões de reais. De origem desconhecida.
E é aí que a história complica.
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Entrar no grupo A anatomia do esquema
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que integra a equipe jurídica da pré-campanha de Flávio, não economizou nas palavras: classificou a estrutura como uma “verdadeira organização criminosa digital”. Segundo ela, o modus operandi revela sofisticação deliberada — páginas criadas em datas próximas, telefones com o mesmo DDD, sites hospedados na mesma plataforma, domínios com nomes parecidos e legendas genéricas projetadas para burlar os filtros automáticos das redes sociais.
Ou seja: não estamos falando de um militante revoltado com um notebook velho. Estamos falando de uma operação profissional, financiada com recursos volumosos, desenhada para atacar e desaparecer antes que alguém rastreie a origem.
Mas há um detalhe.
Parte dos anúncios foi paga em moedas estrangeiras — dólar e peso colombiano. Dinheiro de fora financiando ataques políticos dentro do Brasil. Se isso não configura uma ameaça à soberania do processo eleitoral, é difícil imaginar o que configuraria.
A pergunta que ninguém faz
Agora compare. Nos últimos anos, o Brasil assistiu a uma verdadeira cruzada institucional contra as chamadas “milícias digitais” — inquéritos abertos, perfis derrubados, pessoas presas, lives censuradas. Tudo em nome da proteção da democracia. Tudo mirando, com precisão cirúrgica, um lado do espectro político.
Pois aqui está uma rede de perfis fantasmas com alcance de 250 milhões de visualizações, financiada com milhões de reais de origem obscura, atacando sistematicamente candidatos de direita. A pergunta é simples: essa denúncia receberá o mesmo tratamento institucional? O TSE agirá com a mesma velocidade? As plataformas serão pressionadas com a mesma intensidade? Os responsáveis serão identificados e punidos com o mesmo rigor?
Ou a indignação institucional tem lado?
O que o PL pede — e o que o caso exige
Na representação, o partido solicita ao TSE que rastreie a origem dos recursos, identifique os patrocinadores dos anúncios, os administradores das páginas e os responsáveis pela infraestrutura técnica do esquema. São medidas básicas de qualquer investigação séria.
Mas o caso exige mais do que uma apuração protocolar. Exige que as mesmas autoridades que se autoproclamam guardiãs da democracia digital demonstrem que a lei não tem preferência ideológica. Que propaganda irregular é propaganda irregular — independentemente de quem financia e de quem é o alvo.
R$ 3 milhões em ataques digitais coordenados, pagos com dinheiro de origem desconhecida, parte dele em moeda estrangeira, contra um pré-candidato à Presidência da República. Se isso não merece uma investigação exemplar, então o combate à desinformação no Brasil é exatamente o que seus críticos sempre disseram que era: uma ferramenta de poder seletivo, não de justiça.