Marinho denuncia “linha perigosa” em jantar de Lula com Alcolumbre na casa de Moraes com mediação de Zanin
Rogério Marinho criticou reunião entre Lula e Alcolumbre mediada por Moraes e Zanin, alertando que magistrados não devem atuar como articuladores políticos
Por ContraFatos 10/08/2026 Atualizado em 10/08/2026
“Linha perigosa”: Marinho critica jantar de Lula com Alcolumbre mediado por Moraes e Zanin
Líder da oposição no Senado questiona imparcialidade do Judiciário após ministros do STF atuarem como articuladores em reunião política reservada
A participação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin em uma reunião política entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), gerou forte reação do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa. O encontro aconteceu no dia 4 de agosto, na residência de Moraes.
O que disse Rogério Marinho sobre o jantar
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (10), Marinho — que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência do Senado — classificou o episódio como um rompimento de limites institucionais. “Articulação política e construção de maiorias fazem parte da democracia. Mas quando acordos políticos passam a ser costurados na sala de jantar de ministros do STF, ultrapassa-se uma linha perigosa“, afirmou.
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O parlamentar foi enfático ao delimitar o papel que, em sua avaliação, cabe aos integrantes da Suprema Corte. “Ministro do Supremo não é articulador partidário, fiador de acordos políticos nem operador de sucessões no Congresso”, declarou.
Questionamento à imparcialidade e à separação dos Poderes
Rogério Marinho direcionou suas críticas especialmente à posição de magistrados que estão à frente de investigações com repercussão política e eleitoral. “Quando magistrados envolvidos em inquéritos de enorme impacto político e eleitoral participam dessas articulações, a imparcialidade e a separação dos Poderes ficam sob suspeita”, disse o senador.
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O jantar na residência de Moraes marcou o primeiro diálogo direto entre Lula e Alcolumbre desde que o plenário do Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no STF. A derrota havia criado tensão na relação institucional entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso Nacional.
Além de funcionar como instrumento de reaproximação entre Executivo e Legislativo, a reunião também teve como objetivo destravar pautas consideradas prioritárias pelo governo federal, entre elas as discussões sobre a proposta de alteração da escala de trabalho 6×1.
Oposição promete resposta nas urnas
Para o líder oposicionista, o episódio representa uma tentativa de interferência direta na disputa pela sucessão interna do Parlamento. Em tom combativo e em aceno à militância de oposição, Marinho encerrou sua manifestação com uma mensagem clara: “Nossa resposta será nas urnas. Eles têm os acordos de cúpula. Nós temos o povo”.