O que disse a agência norte-americana
Na sexta-feira passada, o CBP divulgou comunicado afirmando ter feito “análise completa das evidências disponíveis” e concluído que Filipe Martins não entrou nos Estados Unidos na data mencionada.
“Após a conclusão da análise, foi concluído que o Sr. Martins não entrou nos EUA naquela data”, diz a nota.
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O órgão americano ainda destacou que o registro utilizado pela PF e por Moraes era “errôneo” e que o episódio está sob investigação interna.
“Reconhecemos que o ministro De Moraes citou um registro errôneo para justificar a prisão por meses do Sr. Martins. A inclusão desse registro impreciso nos sistemas oficiais do CBP permanece sob investigação, e o CBP tomará as medidas adequadas para evitar futuras discrepâncias.”
A agência norte-americana classificou o episódio como grave e disse condenar veementemente qualquer uso indevido dessa informação falsa “para embasar a condenação ou prisão do Sr. Martins ou de qualquer pessoa”.
Inconsistências apontadas
Sabino observou que o registro citado pelo Brasil contém diversas irregularidades, incluindo:
- Erro na grafia do nome de Filipe Martins;
- Número de passaporte cancelado desde 2021;
- Categoria de visto incompatível com a do ex-assessor presidencial.
O jornalista ressaltou ainda que, após a defesa de Martins comprovar que o ex-assessor estava no Paraná em 30 de dezembro de 2022 e não havia registro de saída do Brasil, o documento do CBP “sumiu e reapareceu” do sistema, agravando as suspeitas de fraude.
Repercussão e silêncio das autoridades
Em julho, o Wall Street Journal já havia publicado um editorial exigindo uma investigação profunda sobre o caso, descrevendo a situação como uma falha imperdoável no sistema de segurança dos Estados Unidos.
Apesar disso, segundo Sabino, nem a Procuradoria-Geral da República (PGR) nem o STF demonstraram empenho em esclarecer o episódio.
“A Justiça deveria ser a primeira interessada em apurar o que houve. Mas, curiosamente, nem a PGR, nem o STF parecem preocupados com o assunto”, escreveu o jornalista.
Crítica à imprensa e ao comportamento do Judiciário
Mário Sabino também criticou a postura da imprensa brasileira, que, segundo ele, minimiza o caso e o trata como uma “histeria de bolsonaristas”. Ele ironizou a tentativa de justificar que Martins teria sido preso não pela viagem em si, mas por outros indícios de envolvimento na chamada “minuta do golpe”.
“As Fadas Sininhos do STF nos jornais se apressaram em justificar que Filipe Martins não foi preso por causa da viagem, e sim por evidências de sua participação na ‘minuta do golpe’”, ironizou.
Encerrando o texto, o jornalista fez uma crítica dura ao atual estado da Justiça brasileira:
“Na mais benévola das versões, saímos do Estado de Direito para entrar no Estado da Piada sem Graça, no qual a Justiça acha que pode bater no réu apenas porque ele saberia porque está apanhando.”