Acordo de colaboração caminha para fase final
O jornalista Elijonas Maia informou que a PF está satisfeita com o conteúdo das delações de Camisotti. Em conjunto com a PGR, as equipes já se encontram na etapa conclusiva de elaboração do acordo de colaboração premiada, que será submetido ao crivo do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça é o relator do caso na Corte.
Vale lembrar que a primeira versão da delação, conduzida exclusivamente pela PF, chegou a ser encaminhada ao STF. Entretanto, Mendonça devolveu o acordo para que fosse refeito com a participação conjunta da PGR e da Polícia Federal.
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Entrar no grupo Transferência de presídio e colaboração contínua
Atualmente, Camisotti está preso na carceragem da Superintendência da PF em São Paulo. Em março de 2026, o ministro André Mendonça havia determinado sua transferência da Penitenciária II de Guarulhos para as instalações da corporação. A manutenção do delator nesse local se justifica por sua colaboração ativa e permanente com as equipes de investigadores que operam na superintendência paulista.
Detido desde setembro de 2025, Maurício Camisotti saiu na frente dos demais investigados ao assinar, em abril deste ano, o primeiro acordo de delação relacionado ao roubo bilionário do INSS — quase um ano depois da deflagração da Operação Sem Desconto.
Indiciamento de 54 investigados e nomes de peso
Por ter fornecido informações inéditas que contribuíram diretamente com o indiciamento de 54 investigados, Camisotti não foi incluído nos relatórios policiais sobre os operadores do roubo aos beneficiários do INSS. Dois relatórios foram concluídos no início de agosto. Entre os indiciados estão o próprio Careca do INSS e o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Prejuízo bilionário estimado pela CPMI e órgãos de controle
A CPMI do INSS estimou que o esquema gerou lucros criminosos entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões no período de 2015 a 2025. O golpe envolveu 47 entidades associativas e sindicatos acusados de lesar cerca de 10 milhões de aposentados e pensionistas.
Já os órgãos de controle calcularam um montante de R$ 6,3 bilhões subtraídos de aproximadamente 4,1 milhões a 6 milhões de beneficiários entre 2014 e 2024.
Expectativa de que delação atinja a cúpula do poder
Ainda em abril, o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), manifestou sua expectativa de que Camisotti tiraria o sono de integrantes da cúpula do poder da República, em Brasília, com o conteúdo de sua delação. O vice da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cobrou que o delator revelasse políticos e autoridades envolvidos nos crimes que classificou como monstruosos.